Dias em que fremindo os meus nervos estão,
em que estranho meu ser passivo e scismarento;
dias em que meu corpo é uma palpitação
de azas, da natureza ante o deslumbramento!
Num. dia, assim, como este, os meus tédios se vão,
e ao céo de escampo azul e ao Sol, de ardôr violento,
eu só quero sentir a forte vibração
da vida, num prazer ou mesmo num tormento.
Saem dos lábios meus as expressões em trovas;
quero viver, gosar emoções muito novas,
amo quanto me cerca, amo o bem, amo o mal.
E, numa agitação de anceios incontidos,
nestes dias de Sol, os meus cinco sentidos
são aves ensaiando o vôo para o Ideal.