Quando dentro de um templo, a corola de prata
do turíbulo oscila e tôdo o ambiente incensa,
fica pairando no ar, intangível e densa,
uma escada espiral que aos poucos se desata.
Emquanto bamboleia essa escada e suspensa
paira, uma ânsia de céus o meu ser arrebata
e por ela a subir numa fuga insensata,
vai minha alma ganhando o rumo azul da crença.
O turíbulo é uma ave a esvoaçar, quando em quando...
arde o incenso... um rumor ondula, no ar se espalma...
sinto no meu asas brancas roçando...
E, sempre que de um templo o largo humbral transponho,
logo o incenso me enleva e transporta minha alma
à presença de Deus na atmosfera do sonho.