Há um colar de flores em torno de mim.
Há uma fera alada sobre meu ventre,
uma serpente.
E caliente e vermelha, sou astúcia
janelas múltiplas, novas trilhas
para o velho caminho de Zaratustra
e seus discípulos todos homens.
A sabedoria dos homens me dá tédio.
É restrita de assunto. O que é extenso
está na minha cabeça fecunda
em diálogos com todos os sentidos.
Por isso, aprofundo os tempos, as cores,
o mundo
que nasce e renasce na usina de mel
e vida que eu carrego entre as pernas.
O céu das alquimias geniais,
teias de bruxas secretas que tudo ver
e fazem meu padecer virar risos e voos
sobre meus incômodos.
Meus incômodos são as epístolas do falo
que só ejacula mas não sabe o que é gozar.
Para quê essa sabedoria dos machos
se de gozos múltiplos por todo o corpo,
eu me farto?
Há um colar de flores na minha cabeça.
Há uma fera alada em minha mente,
uma serpente, perspicaz, atenta.
Leio o mundo com o cérebro e os sentimentos.
Sou o sagrado, o profano, a linguagem,
a memória, o ninho da terra e das águas.
Se nada ou pouco diz de mim, fêmea e mulher
mantra para expandir a vida nos mundos,
não me serve a sapiência dos homens.
