Guardo signos ocultos sob
a melanina da minha pele.
Meu corpo parece apenas
de carne e osso, mas é sagrado.
Ele registra os pactos divinos
com meu Orixá de cabeça.
É um santuário de poderes,
segredos no modo como dança,
no amarrar dos panos no cabelo,
e nas contas do kelê uma epopeia
encantada
que veio sobre o atlântico e se faz
a força do ebó nas encruzilhadas,
nos matos verdes e nas cachoeiras.
Meu ara é muito mais que a pura beleza,
exala cânticos e movimentos ancestrais,
o gestual de deusas e deuses em rituais
de criação, alegrias, proteção, irmandade.
Quando ando, meu corpo é uma escultura
de ébano, bordado em cobre, ouro e prata,
uma metáfora a ser revelada.
Ele se movimenta como as águas
é uma bandeira de muitas divindades.
Não toque meu corpo sem a devida licença
senão ele corta. Ele também é do ferro.
