20/10/2025

Por Ariadne Marinho

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 Hoje, cansei.

Simplesmente… cansei.

De telas que me devoram os olhos,

de buscar sentido nos vãos, no nada.

Não aceito brechas -

sou vastidão.

Repito em voz plena: SOU IMENSA!

Sou poesia que pulsa,

vontade em carne viva,

metal

movimento em combustão.

Mas também sou sopro,

sou pausa,

sou o instante que se alonga no tempo.

A espera

O silêncio

E mesmo assim, sigo.

Não me encaixo no comum.

Não sou quase.

Sou o tudo que transborda.

Vida e morte,

entrelaçadas numa dança ardente.

Sou riso solto,

lágrima densa e feia

grito e suspiro.

Sou imensidão.

Sou abismo.

aos poucos, me desencanto.

Sou feita de versos —

gosto de mergulhos, não de margens.

 

Vibro com o que é sensível,

me comovo com o que pulsa.

Não sou rasa —

sou mar em dias de tormenta.

 

Vivo além das linhas desta cidade.

Gosto do mato, das cores

dos caminhos pisados por outros pés.

 

Corro.

E como corro e me derramo.

Extravaso a vida em cada passo.

Sou potência viva,

em carne e em chama.

 

Não sou convenção.

Sou cor.

Mesmo nua,

sou tempestade em aquarela