Hoje, cansei.
Simplesmente… cansei.
De telas que me devoram os olhos,
de buscar sentido nos vãos, no nada.
Não aceito brechas -
sou vastidão.
Repito em voz plena: SOU IMENSA!
Sou poesia que pulsa,
vontade em carne viva,
metal
movimento em combustão.
Mas também sou sopro,
sou pausa,
sou o instante que se alonga no tempo.
A espera
O silêncio
E mesmo assim, sigo.
Não me encaixo no comum.
Não sou quase.
Sou o tudo que transborda.
Vida e morte,
entrelaçadas numa dança ardente.
Sou riso solto,
lágrima densa e feia
grito e suspiro.
Sou imensidão.
Sou abismo.
aos poucos, me desencanto.
Sou feita de versos —
gosto de mergulhos, não de margens.
Vibro com o que é sensível,
me comovo com o que pulsa.
Não sou rasa —
sou mar em dias de tormenta.
Vivo além das linhas desta cidade.
Gosto do mato, das cores
dos caminhos pisados por outros pés.
Corro.
E como corro e me derramo.
Extravaso a vida em cada passo.
Sou potência viva,
em carne e em chama.
Não sou convenção.
Sou cor.
Mesmo nua,
sou tempestade em aquarela
