Quando, longe de ti, solitária, medito
este, affecto pagão que envergonhada occulto,
vem-me ás narinas, logo, o perfume exquisito
que o teu corpo desprende e ha no teu próprio vulto.
A febril confissão deste affecto infinito
ha muito que, medrosa, em meus labios sepulto,
pois teu lascivo olhar em mim pregado, fito,
á minha castidade é como que um insulto.
Si acaso te achas longe, a collossal barreira
dos protestos que, outr'ora, eu fizera a mim mesma
de orgulhosa virtude, erige-se altaneira.
Mas, si estás ao meu lado, a barreira desaba,
e sinto da volúpia a ascosa e fria lêsma
minha carne polluir com repugnante baba.