Escuto a água arranhando o vidro
suas unhas rascunham calmaria e flores
esqueço como a água sente a pele
esqueço como a água rasga a pele
Os dias arranham o vidro
esfolam as flores que a água rascunhou
dissipam a face que a noite tingiu
o fogo a guerra os mortos, já não os sinto
eles ainda vivem sob os sulcos do asfalto
