21/11/2025

CONFESSO DEVANEAR-ME NOS SEUS DENTES ( Jade Luísa )

 Então você olha pras minhas maçãs

e sorri quando percebe que elas ardem
até o pé da orelha,
bem no lugar que você beijou antes de me dizer
mariposas e besouros.
Não sinto dor agora, apenas
quando eu me deitar sob as coxias do inverno.
Elas protegem minhas orelhas da sua saliva
mesmo quando eu não peço, mesmo
quando meu anseio maior é me
embaraçar no vazio entre a sua gengiva e a sua
orelha.

Agora eu falo pelas coxas.
Sigo contando histórias sobre como estou
cega pela luz da sua garganta
surda pelo som do seu tórax
muda pelo eco das suas pupilas
inerte pela lava que escorre das minhas coxas falantes
entoando elegias por detrás do seu pescoço,
como quem enrola a língua ao sussurrar seu nome.
Baixinho, para que só o desejo possa ouvir.