Eu fico como
a ferida aberta,
desdobrando a força dos saberes que nos fundam,
estendendo pulsos e braços,
a pele esticada como um campo de memória,
Olhando as veias, o mapa de resiliência a pulsar,
viva,
aberta,
exposta.
A fonte que burila a sobrevida.
Vem, decifra o fado, colete seus dados,
você, que se atreve a se aproximar
daquilo que o arquivo não guarda.
Vá, rasure o silêncio e escreva sobre seus achados,
porque aqui não se enterra o açoite.
“O que elas rimam?
Escrevem sobre o que sentem,
furiosas e sinceras.”
Elas não buscam o lírico,
não conhecem os ornamentos,
mas calamidades do sistema-mundo,
ecos de suas vivências em um grito.
“O que é poesia para quem vive?
O que é poesia para quem sobrevive?”
Chamam de poesia a batalha da existência em estado de vigília.
Seu sangue é o dado,
o sangue que é o nosso ouro negro,
cada gota, um verso,
cada dor, uma linha,
cada risada, um estalo de libertação.
Pesquisadora, atenção,
essa coleta quantiquali:
é um ritual, uma dança com o que dói,
um pulso de outro tempo na pele esticada
Um sangue vermelho pulsando como sua saia evasê, nos joelhos
Cada entrevista, uma declaração de guerra taciturna.
Não tem espaço de revolução,
O que nos escreve é a costura da ferida
O que nos funda é a tese que o pulso não cede
E a obra é feita do que a vida exige.
“Elas chamam isso de poesia!”
O verso é o que te salva do aço
O compromisso brutal com o não-silêncio.
