22/11/2025

SÁBIAS DE SAIAS RODADAS ( Maria Rita da Costa Souza )

Na fogueira da inquisição

Não queimaram bruxas

Queimaram mulheres

Em cenas terrivelmente esdrúxulas.

 

Eram sábias de saias rodadas

Que ousaram teimar, questionar, transgredir

Regras impostas, criadas para amedrontar e punir

Pelo tal pecado de Eva

É Verdade! Somos todas EVAS

ERVAS crescendo no jardim

Como plantas daninhas

Quem vai exterminar nosso existir?

 

Amarradas, atadas

Torturadas, em praça pública

Humilhadas, trancafiadas, enforcadas

Assassinadas

Jamais caladas!

 

Ouçam as vozes que ecoam

O paradoxo anormal

Em nome de Deus

Atrocidade brutal.

 

Que o fogo arda em mim

Como a fé no novo

A esperança do porvir.

 

Queime, arda em brasa

Pó e cinza

Não sinta pena de mim

O amanhã é da fênix sagrada

A mulher subjugada

Condenada pelo fato de existir

Não se cala, não dobra

Não se enverga

É a mesma mulher Eva

Do começo e do fim.