Na fogueira da inquisição
Não queimaram bruxas
Queimaram mulheres
Em cenas terrivelmente esdrúxulas.
Eram sábias de saias rodadas
Que ousaram teimar, questionar, transgredir
Regras impostas, criadas para amedrontar e punir
Pelo tal pecado de Eva
É Verdade! Somos todas EVAS
ERVAS crescendo no jardim
Como plantas daninhas
Quem vai exterminar nosso existir?
Amarradas, atadas
Torturadas, em praça pública
Humilhadas, trancafiadas, enforcadas
Assassinadas
Jamais caladas!
Ouçam as vozes que ecoam
O paradoxo anormal
Em nome de Deus
Atrocidade brutal.
Que o fogo arda em mim
Como a fé no novo
A esperança do porvir.
Queime, arda em brasa
Pó e cinza
Não sinta pena de mim
O amanhã é da fênix sagrada
A mulher subjugada
Condenada pelo fato de existir
Não se cala, não dobra
Não se enverga
É a mesma mulher Eva
Do começo e do fim.
