Confio mais no meu quadril
do que na minha mente.
O quadril enquadra o movimento
que se amplia em espirais,
quando saudável, ou se encerra
em formas rígidas, quando adoece.
O quadril dá-me a qualidade da
presença: do aqui e agora,
enquanto a mente vagueia,
dispersa, em possibilidades múltiplas,
tecendo passados e futuros
numa teia infinita.
Preciso trazer a mente
para junto do quadril,
fazê-la acompanhar os seus movimentos
esvaziá-la para a poder encher de novo
como um pequeno balde que se
leva ao mar para trazer com água.
Despejar a água na areia molhada
e vê-la desaparecer
levar o balde vazio de novo ao mar
e enchê-lo de presente.
Alimentar a mente de bons pensamentos
enchê-la de todas as coisas que o
quadril observa,
mergulhá-la nas sensações que,
nascendo dele, percorrem todo o corpo
trazendo-a de volta a casa.
Mente-água, quadril-areia
juntos numa mesma massa.
