27/12/2025

Leonora Rosado, in Lâmina de Pólen; Labirinto, 2022

 Há perguntas que te tocam o rosto

perfeitos anzóis presos aos lábios
Há perguntas que me deixam inquieta
São finas lâminas de precisão
A minha perplexidade visível
salta das pálpebras para o calor de um gesto
um gesto que se cansa
que rompe o teu riso
e o engole
Há perguntas que me deitam por terra
que se agarram aos dentes
que respiram a escuridão
mas há também versos
que fendem perguntas
que trazem o lume às mãos
e faz-se luz pelo excesso de culpa
e pela erosão da penumbra
onde ninguém
faz perguntas