23/01/2026

XIX ( Mário Quintana ) do livro “A Rua dos Cataventos”, 1940.

 Minha morte nasceu quando eu nasci.

Despertou, balbuciou, cresceu comigo
E dançamos de roda ao luar amigo
Na pequena rua em que vivi.

Já não tem mais aquele jeito antigo
De rir e que, ai de mim, também perdi!
Mas inda agora a estou sentindo aqui,
Grave a boa, a escutar o que lhe digo:

Tu que és minha doce Prometida,
Nem sei quando serão as nossas bodas,
Se hoje mesmo ou no fim de longa vida

E as horas lá se vão, loucas ou tristes
Mas é tão bom, em meio às horas todas,
Pensar em ti saber que tu existes!