23/01/2026

OBSESSÃO DO MAR OCEANO ( Mário Quintana ) do livro “O Aprendiz de Feiticeiro”, 1950.

 Vou andando feliz pelas ruas sem nome

Que vento bom sopra do Mar Oceano!
Meu amor eu nem sei como se chama,
Nem sei se é muito longe o Mar Oceano
Mas há vasos cobertos de conchinhas
Sobre as mesas e moças na janelas
Com brincos e pulseiras de coral
Búzios calçando portas caravelas
Sonhando imóveis sobre velhos pianos
Nisto,
Na vitrina do bric o teu sorriso, Antínous,
E eu me lembrei do pobre imperador Adriano,
De su’alma perdida e vaga na neblina
Mas como sopra o vento sobre o Mar Oceano!
Se eu morresse amanhã, só deixaria, só,
Uma caixa de música
Uma bússola
Um mapa figurado
Uns poemas cheios de beleza única
De estarem inconclusos
Mas como sopra o vento nestas ruas de outono!
E eu nem sei, eu nem sei como te chamas
Mas nos encontramos sobre o Mar Oceano,
Quando eu também já não tiver mais nome.