Sentada à margem da vida
eu sou três:
meu sonho, a poesia e eu;
porém o que digo agora
meu sangue apaga com sua veloz vertente,
entretanto o relógio
– rompe ondas dos dias –
inventa uma nova hora,
na escala gradual do tempo.
Anterior ao pêndulo
e ao voo das andorinhas,
está a minha lua que chora e ri
em um pontual protetorado de palavras.
Eu não sei como fechar os olhos,
reconquistar as tardes,
as memórias
e as paisagens
em uma só fonte recôndita
que definitivamente afirme o sopro primogênito;
na altura da rosa que não murcha
no seio,
ou da nuvem que teria restado
aceesa à janela
olhando extasiada o céu.