Eu amanheço, e não precisamente na manhã.
Abro os olhos e caminham devagar, procurando o que se desconhece.
Aqui as primeiras horas engolfam completamente a casa.
Algo continua batendo dentro de mim
e meu corpo estendido na cama,
pensando em tudo
pensando com os olhos abertos
com as mãos abertas
com o coração aberto como uma flor
com as palavras abertas, embora mudas,
com os pássaros noturnos indo para seu ninho
e não para meu telhado
e não para minhas árvores
e não para meu quintal
e não para pender nas varandas
a cantar o que vier à mente.
Amanheço, e não precisamente na manhã
não precisamente na tarde
não precisamente na madrugada.
Aqui o tempo disseca
torna-se outro
se reinventa
renasce
foge
e volta sempre que quiser.
Eu amanheço
e não precisamente
