25/03/2026

HISTÓRIA ( Karen Kazue Kawana )

 Tornar-me foi um desfazer-me.

Despir-me de pele e de sonhos.

Cada passo à frente foi mais leve,

porque despojado de propósito,

movido por inércia e desalento.

 

Caminhei por várias vias

sem telefone, sem dinheiro,

sem medo dos perigos.

De meu, tinha só o corpo,

que sempre foi só carne,

nunca um objeto de desejo.

Não tinha sexo, nem etnia,

ignorava que, nos outros,

ele pudesse despertar repulsa,

ou ser motivo de cobiça.

Mirava o alto, as miragens,

queria ser apenas espírito.