25/03/2026

MEDUSA ( Viviane de Santana Paulo )

 não há nada que não seja um labirinto

desde o reencontro com um amigo de infância

após muitos anos

a ficar preso no elevador de um edifício

desde o ínvio olhar de quem mais confio

a ouvir o meu nome dito por quem tanto amo

 

seja asfalto ou montanha

seja mar ou rio

seja céu ou ponte

seja tempo ou jornal

seja ontem ou gestos

espelho ou brincadeira

sejam as construções modernas

ou um punhado de terra

não há nada que não seja um labirinto

fora ou dentro de mim

perseus eu matei

com a minha indiferença

com a minha resignação e abandono

com a minha própria coragem

de me olhar no espelho