a despeito de todas as precauções em depositar no lugar
apropriado tudo aquilo que lhe pareceu suspeito (óculos,
celular, chaves), o autoritário equipamento detector de metais
dispara. a cidadã é barrada à entrada do recinto destinado aos
deuses protetores dos juros e dos índices bovespa e dow jones.
espoliada de sua dignidade, a humilhada ré descobre que um
prosaico batom esquecido na bolsa fora o causador do suposto
atentado. finalmente liberada, resta ainda enfrentar os olhares
em fila, irados pela demora e que, ato contínuo, despem-se de
seus pertences, rumo à esperança da própria liberação