aprendi com Prado a escrever uma parte do meu dia
[para chorar.
há pouco o pranto foi intenso
estava chovendo muito, mas insisto
que a água na varanda era salgada, portanto,
de pranto, e não de chuva,
fui tirar a água com um balde
e estava gostando de ficar descalça
com água pelas canelas
quando inesperadamente senti o cheiro
da casa da minha vó.
imaginei que ele estivesse comigo.
por algum motivo saíra de seu sono de raízes
e achara importante me visitar.
perguntei: veio pra ajudar ou pra julgar?
ela disse: ajudar. Vim te contar um segredo
pois diga.
você não é uma mulher. Você é uma gaivota.
