24/05/2026

Por Célia Moura; poesia inédita, 2026

 Ausento-me

Nas palavras interditas
Como se morresse
À margem de um voo de ave.

Trago nos olhos
A platina do silêncio
Quando todos os gritos
Se exilaram no imenso areal.

Busco incessantemente a chave que deixaste
Junto à foz das palavras
Que nunca ousaste.

Só meus cabelos,
Jazigos de pequenitas conchas,
Inquietos, permanecem vida
No ventre do desassossego
Deliciando-me na enseada
Onde ousadamente fomos tudo que inventámos
Gargalhando esta alegria que sinto
Por ser criança.