Há um rumor em mim
como terra sequiosa
à espera de chuva,
e cada verso que nasce
é um corpo imperfeito
onde me procuro.
Escrevo-te
como quem se abre devagar,
porque há silêncios
que só florescem
quando alguém os toca.
Trago nas palavras
o peso do que não fui
e a sede do que ainda arde.
Escrevo-te com o corpo inteiro,
e a alma em carne viva,
como quem lavra a própria pele
à procura de sentido.
E em cada verso
fica um pouco mais de mim
não inteira,
mas suficiente
para que o amor
me reconheça.