13/07/2026

ÀS PEDRAS DA CALÇADA ( Célia Moura )

 Pois que se crivem balas

nas minhas coxas prenhes
de ilusão
que eu ainda assim rodopiarei
à chuva e ao vento
para te gritar meu hino.
meu sangue,
meu Amor!

E que venham arqueadas foices
em focinhos de hienas,
e pragas de sanguessugas
que eu saberei ser veneno
ou cinza apagada no esplendor
das alvoradas

E quanto a vós,
inúteis pedras da calçada,
pisando-vos,
vos humilho, com a certeza
de que bem presas ao chão por onde caminham
meus pés de alento
não passais disso mesmo,
inertes e toscas
assassinas ou até arte
à mercê das mãos
de qualquer um.

Pois que me crivem balas,
e eu renascerei semente.