nasci para ser árvore negra
na noite guardada pela lua
de teu olhar.
a inclinação do fino raio de luz
por onde espreitas e enfrentas este pátio
do quotidiano ardente
a inclinação desmente a aparência de habitares este aqui.
o pátio é amplo e rico em
fraseados e requebros do Sul
a trazerem à memória o colo
da terra onde nasceste e cresces.
vens depois para anunciares o que virá.
a luz permite-te esse jogo inaudito
e maravilhoso de trocar as voltas ao tempo
inexistente para quem viaja entre pátios
e se derrama pelos céus das planas visões.
excessiva esta emoção
no meu peito de árvore – oliveira redobrando ramos
e alongando raízes dentro do chão.
nasci para ser essa árvore negra
guardada pela luz do olhar
que nos dás e alicias e ensinas.
antiga raiz no solo raiano
eu, oliveira baixa e resistente
descubro-me intacta
a todas as antigas falas
pois de falsas falas se tratou.
intacta me descubro
pois aprendo
com a luz de teu olhar
ser o fundo uma passagem
ser o pátio uma moldura
onde opera a luz,
essa seiva maga de natal
