Imagem fria e taciturna,
cem por cento de bronze.
Suporta calada e tímida,
no pedregoso calçadão,
a vida que persiste
ao redor.
Não profere palavras melodiosas
no chão varrido
onde pousa sua sombra;
não sabe se é noite, mar
ou distância,
na espantosa solidão do Rio,
onde voz e buzina se confundem.
Mas está cercada de mãos, afetos,
procuras.
Sem pensamento de infância ou saudade,
somente a contemplação muda
dos ritmos que passam:
curiosos ou indiferentes.
Param, fotografam,
agridem.
É uma nova categoria de eterno,
estar ali sem estar.
Legado de bronze no meio do caminho,
entre os homens e o mar,
no grande mundo que está crescendo
todos os dias.
Eterníssimo.