05/07/2026

ANDRÔMEDA ( Yasmin Morais )

 Estive acorrentada às rochas,

Que à minha carne insólita,
Foram talhadas.

 

Aprisionaram-me a alma em calcários.
Eu, fêmea-abrupta,
Tentei desvencilhar-me ao encalço,
De uma noite profunda.

 

Desejaram manter-me cativa,
Em minha própria floresta.
Esqueceram-se de que abrigo,
Os portais de Eubeia.

 

Sou a mítica criança,
Esculpida em mármore negro.
No brandir indômito dos desejos,
Edificarei o meu reino.

 

Assento-me rainha dourada,
No trono de uma terra queimada.

 

Sou das fêmeas que alçam voo,
No chifre da África.