26/05/2017

SONETO DO LADRÃO AMADO
(Douglas  Mondo)
Arrombo a janela do teu quarto
conheço teus segredos de mulher
sei dos teus gemidos ansioso aguardo
bebo da tua voz que me pede e quer.

Sussurro palavras onduladas de amor
com salivas suadas levadas pra beber
sinto o perfume e a flagrância da flor
me aninho no teu ninho sou teu bem-querer.

Entro volto penetro sou homem maduro
tenho mãos de poeta de dia sou poesia
de noite profano tua alma e te engulo.

Amo só na mão com teu corpo não
tua voz ouço não te vejo e alcanço
estou louco não contigo sou santo.

PASSEIO ( C. Almeida Stella )


Blusa em organza branca 
em transparência delicada
insinuando
mostrando tudo mostrando nada.

Botõezinhos perolados semi-abertos 

delicados 
guardam uma fronteira 
entre a imaginação e a realidade 
de caminhos inexplorados.

Tua mão se perde na transparência 

dessa diáfana blusinha.
Atravessa timidamente os limites 
que os botõezinhos entreabertos deixam ver 
e que o teu desejo adivinha.

Tua mão é macia

ela vai brincando, 
acarinhando
invadindo a minha geografia
explorando vales, montes, planícies,
detendo-se um pouco aqui
um pouco ali, 
desvendando caminhos nunca trilhados
criando atalhos.

Minha pele sente o teu toque, 

a tua sedução
e no calor da tua mão 
ela vibra
pede mais. 

Em seu passeio sensual 

tua mão desperta em mim 
milhares de sensações 
e aquela coisa tão louca
aquele grande desejo
de ter. 

Não somente a tua mão 

assim 
a me percorrer 
mas também a tua boca!

DELEITE (Stela Fonseca)


Doce homem
meu amado
meu amor.
Que êxtase
ver seus olhos
se abrirem em
raios de luz
seu corpo
desmanchar-se
em iluminado prazer
e seu sexo alçar voo
nas vezes em que
minha boca viaja
na sua anatomia.
INVENTO-TE (Julieta Lima)
Invento-te
Invento-me
Sem formas
Nem cor
Nem perfis
Nem tela.

Nós dois.
Esculpidos
No silêncio de uma praia
Que a anarquia do mar
Afaga e flagela!
Invento-te
Barco transparente
Em indecisos traços
Adivinhando
Ais libidinosos
No sexo da água
Em que me torno
Ousada ondulada bela
A estremecer
Quando de manso
Me rasga capitosa
A volúpia acerada

De uma vela.


25/05/2017

MULHER DAS ÁGUAS
(Douglas Mondo)
És mulher das águas,
quando recebes em teu corpo a espuma 
como bruma e beijas sábia ventura.

Tão doce tua voz como mel,
quando acalentas o rouxinol cansado
e embriagas de amor o querubim no céu.

No campo desabrocha o suave lírio,
quando tuas mãos tocam o vento
e no etéreo molduras um mosaico delírio.

Teus afagos são gemidos como músicas lascivas,
quando entorpecem as almas dos poetas loucos
e calam a noite de inveja das estrelas em orgia.

Cai a última pétala em tua túnica suave graça,
quando brilham os olhos da esmeralda e da pérola
e silencia quem passa e nunca vira mulher tão bela.

És mulher tão linda e sábia,
quando a manhã faz da sabedoria um sorriso dela
e da poesia um desejo lânguido nesse dia.


MAÇÃ-DO-AMOR
(Carlos Alberto Pessoa Rosa)
abrir pétalas com
a língua
explorar
seus cheiros e sabores

levar seu néctar
para além desse momento
para colmeias
perdidas no inconsciente
nos momentos em que
nada valer a pena

ou quando você não estiver
mais presente
minha língua
lamberá a lembrança
como lambemos aquela
maçã-do-amor


lembra-se?


OLHOS NUS (Paulo Netho)


Seu corpo nu 
meus olhos vestidos 
seu corpo nu 
meus olhos enlouquecidos 
seu corpo vestido 
meus olhos nus. 

ERÓTICA (Carlos Queirós)


A noite descia
como um cortinado
sobre a erva fria
do campo orvalhado.

e eu (fauno em vertigem)

a rondar em torno
do teu corpo virgem,
sonolento e morno,


pensava no lasso

tombar do desejo;
em breve, o cansaço
do último beijo.

E no modo como

sentir menos fácil
o maduro pomo
do teu corpo grácil:

ou sem lhe tocar

– de tanto o querer! –
ficar a olhar,
até o esquecer,

ou como por entre

reflexos do lago,
roçar-lhe no ventre
luarento afago;


perpassando os meus

nos teus lábios húmidos,
meu peito nos teus
brancos
       seios
              túmidos.

FATALISMO (Manuela Amaral)


Amo o que em ti há de trágico. De mau.
De sublime. Amo o crime escondido no teu andar.
A tua forma de olhar. O teu riso fingido
e cristalino.

Amo o veneno dos teus beijos. O teu hálito pagão.
A tua mão insegura
na mentira dos teus gestos.
Amo o teu corpo de maçã madura.

Amo o silêncio perpendicular do teu contacto
A fúria incontrolável da maré
nas ondas vaginais do teu orgasmo.

E esta tua ausência
Este não-ser quem é.

DELÍRIOS DA TARDE ( Nálu Nogueira )


Traz-me tua boca e deixa que pouse
aqui sobre os meus seios. A tarde vai
pelo meio e desde a aurora o corpo meu
sedento te deseja.

Dá-me tua língua em minha língua para
que eu te excite, movimentos meus no
céu da boca e dentes, lábios quentes sobre
os teus deixam escapar gemidos.

Fecha os olhos, deita enquanto esfrego em
tua pele meus mamilos; tua bunda e coxas
minha boca e dentes. Ouve o meu pedido
urgente em teus ouvidos.

Sente os movimentos ondulantes meus quadris
em tuas ancas, sobe e desce lento e mexe e vira
e olha, sente. Segura meus quadris em tuas mãos
e gira e gira e puxa e tira e puxa novamente.
Olha.

Meu olhar para ti flameja e o ar me falta. Tua
boca nos meus seios, gemo. Tua mão meus pelos,
púbis, grito. Minha voz e teus gemidos, minhas
mãos tentam tocar o infinito enquanto gozo
louca no teu colo, enquanto sinto teus
espasmos dentro.

Findo. 
Minhas mãos na tua pele em lanhos do meu desejo.
Marcas púrpuras do teu beijo em meu pescoço. 
O suor da tua pele no meu corpo.

Canso. E adormeço nua e acolhida em teu abraço.

ETERNAMENTE SUA (Tatiana V. Mattos)

Serei eternamente sua pois,
só tu conheces meu cheiro,
meu gosto e meu corpo.
Tu podes me magoar,
me fazer calar e,
ainda assim serei eternamente sua.
Deixarei que beijes outras bocas,
que toques outros corpos,
que sintas o prazer de outros gemidos
e que conheças o íntimo de outros seres.
Deixarei.
Para ter a certeza de que
voltarás e que entenderás que
quando beijaste outra boca
– era a minha que tu querias,
que quando tocaste outro corpo
– era o meu que querias tocar,
que quando sentiste o prazer de outro gemido
– era o meu que querias sentir e, que,
finalmente, quando conheceste
o interior de outro ser
– era o meu interior que tu buscavas
em tuas infinitas procuras.
Deixarei-te livre, para teres a certeza
de que és meu e, assim voltar
com a certeza de que ficarás.
E então, depois de tantas buscas infindas suas,
revelarei-te que estava a sua espera,
assim como sempre estive.
E seremos eternamente nós.

SUMO (Carlos Alberto Pessoa Rosa)

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FÊMEAS ( Carlos Alberto Pessoa Rosa )

Hora do fugaz,
das cores efêmeras,
das fêmeas saírem
em blasfêmias.

Hora de rasgar
a castidade,
roçar a nudez
proibida,
do cair das
máscaras.





 

APAIXONADA ( Liz Christine )


Como posso me sentir
Ridicularizada
Por estar apaixonada?
Tenho mais é que sorrir
Porque o amor é tão lindo
Mesmo quando não correspondido
E não mais temo
Esse amor que tenho
Porque é maravilhoso
Desejar
E ser amado
E delicioso
No simples beijar
Eletrizado, extasiado
Sorrindo e repetindo
Esse amor, paixão, tem nome.

E se digo palavrões
E se chego a escrever
Algumas baixarias
É pela intensidade das emoções
E se falo em foder
É porque doces poesias
Belos poemas declamados
Não podem traduzir
A intensidade dos apaixonados
Palavras formais
Me fode com violência
Tesão, sadismo
E indecência
Te amo demais
Te amo com paixão
É assim meu romantismo
Meu doce, sincero palavrão
Te amo com tesão
Amo, amo e chamo
Venha me foder
Venha me dizer
Que me ama
De verdade
E que sou sua putana
Com total fidelidade.

Fidelidade
É sempre dizer
A verdade
E você já deve saber
Que é minha única paixão
E está tão além do simples tesão.

Você é tesão complexo
Mais que sexo
É amor único
Te amo, te amo e te chamo 
Venha me foder
Venha me satisfazer
Venha me completar
Só você pode me penetrar
E só você eu posso amar.

SURREALISTA ( Carlos Alberto Pessoa Rosa )


cabelos escorridos
caprichar nos bicos
seios rijos
rechear as coxas
apetrechos

nos pelos negros

encaracolar
desejos
escorrer uma fina
depressão
uma dala erótica
um rego

palavras

lavras e cheiros
de fêmea-faminta
lambuzada de um mel
selvagem
da abelha mais nobre
a queimar a língua
a criar um delírio-macho

caldo provado

tornar chamas caladas
derreter
em cinzas

sermos sulco-sumo

uno
fêmea-macho
sem artimanhas
procriadores de efêmeros
nadas
abraçados no pescoço
surrealista de minha poesia.

MOCINHAS GRÁCEIS ( Natália Correia )

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SUA VULVA FREME (Paul Groussac Mendes) (para Maria Teresa)


Sua vulva freme
de desejo
pois vejo
que treme

Sentindo o cheiro
de minha pele que enlaço
pois faço 
de teu corpo faceiro

o meu porto 
que me deixa 
com teu olhar de gueixa 
de tesão quase morto..

A CERIMÔNIA DA INSISTÊNCIA (Nelson Castelo Branco Eulálio)


Não consigo perdoar nem a ti nem a vida 
Por negarem-me a oportunidade 
De descobrir em teu corpo 
Todo o mistério do universo. 

Por que não pude beijar teus seios 
Fontes de amor e vida? 
Por que não pude beijar tua alma 
Pela janela da tua feminilidade? 
Por que não pude sentir por dentro 
O mais recôndito do teu corpo 
Mesmo que fosse por entre fios de látex? 

Negar a realização do amor que nos bate à porta 
É crime de lesa-natureza.
E tu serás cobrada por essa recusa 
Quando perceberes que as efêmeras paixões 
Que hoje te animam o ser 
São apenas pálidos reflexos 
Do que podias ter e recusaste. 

Por causa de tua negativa 
As estrelas se quedaram silentes; 
A lua ficou triste, encabulada; 
O sol amanheceu constrangido. 

Toda a natureza sentiu-se negada 
Pela simples volição de uma mortal! 
Que poder é esse que o homem tem 
De negar o ser, de recusar-se a criar? 

Que poder é esse que te foi dado 
De negares a realização do amor? 
Já pensaste que tu poderás querer 
(e não ter) 
justamente o amor que te foi oferecido 
e que tu simplesmente recusaste? 

A tua recusa constrangeu todo o Olimpo 
Aliás, dos deuses gregos aos romanos 
De Eros a Afrodite. 
Deixaste desconcertado o Cupido 
Profanaste o altar de Vênus. 

Mas podes crer que Zeus 
Que jamais permitiu tanta soberba 
De uma simples mortal (embora linda) 
Vai cunhar em etéreas plagas 
A sentença que encimará tua imagem de mulher 
E a de todas iguais a ti: 
"Aqui jaz, neste corpo de mulher 
o amor estéril que não se pode realizar." 

E esta será tua sina: Ensinar a todas as mulheres 
Que ao amor não se pode nada negar.

SONETINHO DE AMOR ( Ildásio Tavares )


Teu mamilo erecto
penetra-me a boca,
chupo, sorvo, mordo
e tu gozas louca.

Teu mamilo é um pênis,
minha boca vulva
onde escorre o leite
que tu me ejaculas.

Dá, minha senhora,
tua rija teta,
teu poeta implora
com a boca seca
a boca boceta
doida de Pandora.

POEMA SOBRE A RECUSA (Maria Teresa Horta)


Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.