"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
13/01/2019
A PALAVRA 31(Francis Whiteman)
Detectei teu sangue
Em minhas mãos suas roupas
Em minha cama o corpo
que ante o nu me oferece
Delírios de poesia tola
Como as bocas, seus lábios
Me recitam falas roucas
Com a lareira fria atiro-me morto
Para sua posse, você que me tem
Às falas loucas e te amo
por ares hábitos e ágil, moça
Frente a masmorra que te prende
Com braços paternos que te estrangulariam
mas detectei teu corpo e espírito
Ante minhas mãos
Que escrevem
Ante aos meus lábios que recitam
Ante ao meu pênis
Que admiras
Com amor
E combate ao tudo sem vícios
À minha boca que baba
Que babar na sua presença, exuberante.
E vês os barbitúricos que caminham
E detectam meu sangue
E protejo-me
E vou ao teu colo
Vasculhar o teu útero
Subindo ao centro de você
VENENO SAGRADO(Maria do Carmo Lobato)
TU ÉS UMA PUTA,
SAUDÁVEL,
INVEJAVEL
DESEJÁVEL,
ADORÁVEL.
NÃO ÉS UMA PUTA DE BORDEL
E A CASCAVEL QUE TE HABITA
POSSUI UM VENENO MUITO ESPECIAL,
QUE,POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, NÃO FAZ MAL
E EXTASIA OS TEUS AMANTES DE UMA FORMA TAL,
QUE ELES CONTIGO SE COMPRAZEM TAL QUAL
FERAS SOLTAS NA FLORESTA
E CONTIGO FAZEM A FESTA
DE TE QUEREREM
POR APENAS UMA NOITE DE SERESTA,
POIS O PRAZER QUE A ELES PROPICIAS
NAS TUAS NOITES DE ORGIA
OS ASSUSTA
E POR ISSO ELES FOGEM DE TI,
POIS A ELES CUSTA
ENQUANTO UM DEDO ESMAGA (E.M. de Melo e Castro)
enquanto um dedo esmaga
uma curva ou um aro
outros dedos distendem
os tendões que entendem
no súbito na água
a luz vértice faro
os membros que se fendem
lábios que dizem rendem
quem diz cu diz a cona
em masculino estilo
as procuradas fendas afluentes
que no homem se excluem
na fêmea se completam
delta logo de lagos mijo nilo
uma curva ou um aro
outros dedos distendem
os tendões que entendem
no súbito na água
a luz vértice faro
os membros que se fendem
lábios que dizem rendem
quem diz cu diz a cona
em masculino estilo
as procuradas fendas afluentes
que no homem se excluem
na fêmea se completam
delta logo de lagos mijo nilo
26/07/2018
TEUS SEIOS (JG de Araújo Jorge)
na ânsia febril de amante incontentado,
são polos recebendo o meu desejo,
nos momentos sublimes de pecado.
E às manhãs quando acaso, entre lençois
das roupagens do leito, saltam nus,
lembram, não sei, dois lindos girassois
fugindo à sombra e procurando a luz!
Florações róseas de uma carne em flor
que se ostenta a tremer em dois botões
na primavera ardente de um amor
que vive para as nossas sensações.
Túmidos, cheios, palpitantes, como
dois bagos do teu corpo de sereia,
tem um rubro botão em cada pomo
como duas cerejas sobre a areia.
Quando os tenho nas mãos.Quantas delícias!
Arrepiam-se, trêmulos , sensuais,
e ao contato nervoso das carícias
tocam-me o peito como dois punhais!
Meu lúbrico prazer sempre consolo
na carne destas ondas revoltadas,
que são como taças emborcadas
no moreno inebriante do teu colo.
INTIMIDADE (Lílian Maial)
Dividir,
recolher semelhanças ao longo do tempo,
deixar-se ficar, sem pressa,
sobre as ondas, à deriva no vento.
Juntar os pés na cama,
escovas de dentes,
planos e roupas íntimas
no banheiro.
Partilhar o melhor pedaço,
acordar nos mesmos braços,
caminhar por sobre os passos
do outro.
Colar os corpos,
tocar as partes,
fazer da rotina uma arte,
e sentir novidade no ar.
Preencher de risos o vazio,
entender o prazer,
provocar calafrio,
apenas ao ver o rosto.
Respeitar o espaço,
riscar sem compasso
o caminho do depois
de um saboroso prato
de feijão com arroz.
recolher semelhanças ao longo do tempo,
deixar-se ficar, sem pressa,
sobre as ondas, à deriva no vento.
Juntar os pés na cama,
escovas de dentes,
planos e roupas íntimas
no banheiro.
Partilhar o melhor pedaço,
acordar nos mesmos braços,
caminhar por sobre os passos
do outro.
Colar os corpos,
tocar as partes,
fazer da rotina uma arte,
e sentir novidade no ar.
Preencher de risos o vazio,
entender o prazer,
provocar calafrio,
apenas ao ver o rosto.
Respeitar o espaço,
riscar sem compasso
o caminho do depois
de um saboroso prato
de feijão com arroz.
A CHAMA SECRETA ( Denise Emmer )
Apareço nesta noite como um sol de asas
Venho dos polos desmaiados e das florestas em brasa.
Quando ardo sou uma espécie que agoniza.
Quando sorrio é porque a grande árvore floresce.
Anunciam-me os reis guardados e estamos num gueto.
Mulheres descalças de seios de vento me embalam.
Sou o beijo que elas já não pedem.
O calor de seus ventres sem enredo.
A cidade sonhada, o país estrelado, o lar aquecido,
O primeiro e o último filho.
Sou a lanterna do cão sem olhos.
Novos livros me inventam, revoluções me transformam.
Mas passo pelos corredores do mar.
Como um navio eterno.
E a minha linguagem é a beleza das estrelas.
Que atravessa os séculos.
Sou o menino sagrado que riscou o céu.
Para a paz sem riscos.
a chama secreta que acenderá as lareiras
das casas do inverno.
Venho dos polos desmaiados e das florestas em brasa.
Quando ardo sou uma espécie que agoniza.
Quando sorrio é porque a grande árvore floresce.
Anunciam-me os reis guardados e estamos num gueto.
Mulheres descalças de seios de vento me embalam.
Sou o beijo que elas já não pedem.
O calor de seus ventres sem enredo.
A cidade sonhada, o país estrelado, o lar aquecido,
O primeiro e o último filho.
Sou a lanterna do cão sem olhos.
Novos livros me inventam, revoluções me transformam.
Mas passo pelos corredores do mar.
Como um navio eterno.
E a minha linguagem é a beleza das estrelas.
Que atravessa os séculos.
Sou o menino sagrado que riscou o céu.
Para a paz sem riscos.
a chama secreta que acenderá as lareiras
das casas do inverno.
SOBRE A TUA GRANDE FACE: HONRA-ME COM TEUS NADAS (Hilda Hilst)
Honra-me com teus nadas.
Traduz me passo
De maneira que eu nunca me perceba.
Confunde estas linhas que te escrevo
Como se um brejeiro escoliasta
Resolvesse
Brincar a morte de seu próprio texto.
Dá-me pobreza e fealdade e medo.
E desterro de todas as respostas
Que dariam luz
A meu eterno entendimento cego.
Dá-me tristes joelhos.
Para que eu possa fincá-los num mínimo de terra
E ali permanecer o teu mais esquecido prisioneiro.
Dá-me mudez. E andar desordenado. Nenhum cão.
Tu sabes que amo os animais
Por isso me sentiria aliviado. E de ti, Sem nome
Não desejo alívio. Apenas estreitez e fardo.
Talvez assim te encantes de tão farta nudez.
Talvez assim me ames: desnudo até o osso
Igual a um morto.
Traduz me passo
De maneira que eu nunca me perceba.
Confunde estas linhas que te escrevo
Como se um brejeiro escoliasta
Resolvesse
Brincar a morte de seu próprio texto.
Dá-me pobreza e fealdade e medo.
E desterro de todas as respostas
Que dariam luz
A meu eterno entendimento cego.
Dá-me tristes joelhos.
Para que eu possa fincá-los num mínimo de terra
E ali permanecer o teu mais esquecido prisioneiro.
Dá-me mudez. E andar desordenado. Nenhum cão.
Tu sabes que amo os animais
Por isso me sentiria aliviado. E de ti, Sem nome
Não desejo alívio. Apenas estreitez e fardo.
Talvez assim te encantes de tão farta nudez.
Talvez assim me ames: desnudo até o osso
Igual a um morto.
DA NOITE II ( Hilda Hilst )
II
Que canto há de cantar o que perdura?
A sombra, o sonho, o labirinto, o caos
A vertigem de ser, a asa, o grito.
Que mitos, meu amor, entre os lençóis:
O que tu pensas gozo é tão finito
E o que pensas amor é muito mais.
Como cobrir-te de pássaros e plumas
E ao mesmo tempo te dizer adeus
Porque imperfeito és carne e perecível.
E o que eu desejo é luz e imaterial.
Que canto há de cantar o indefinível?
O toque sem tocar, o olhar sem ver
A alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis.
Como te amar, sem nunca merecer?
A sombra, o sonho, o labirinto, o caos
A vertigem de ser, a asa, o grito.
Que mitos, meu amor, entre os lençóis:
O que tu pensas gozo é tão finito
E o que pensas amor é muito mais.
Como cobrir-te de pássaros e plumas
E ao mesmo tempo te dizer adeus
Porque imperfeito és carne e perecível.
E o que eu desejo é luz e imaterial.
Que canto há de cantar o indefinível?
O toque sem tocar, o olhar sem ver
A alma, amor, entrelaçada dos indescritíveis.
Como te amar, sem nunca merecer?

LUA NOVA DEMAIS (Elisa Lucinda)
Dorme tensa a pequena
sozinha como que suspensa no céu
Vira mulher sem saber
sem brinco, sem pulseira, sem anel
sem espelho, sem conselho, laço de cabelo, bambolê
Sem mãe perto,
sem pai certo
sem cama certa,
sem coberta,
vira mulher com medo,
vira mulher sempre cedo.
Menina de enredo triste,
dedo em riste,
contra o que não sabe
quanto ao que ninguém lhe disse.
A malandragem, a molequice
se misturam aos peitinhos novos
furando a roupa de garoto que lhe dão
dentro da qual menstruará
sempre com a mesma calcinha,
sem absorvente, sem escova de dente,
sem pano quente, sem O B.
Tudo é nojo, medo,
misturação de "cadês".
E a cólica,
a dor de cabeça,
é sempre a mesma merda,
a mesma dor,
de não ter colo,
parque
pracinha,
penteadeira,
pátria.
Ela lua pequenininha
não tem batom, planeta, caneta,
diário, hemisfério,
Sem entender seu mistério,
ela luta até dormir
mas é menina ainda;
chupa o dedo
E tem medo
de ser estuprada
pelos bêbados mendigos do Aterro
tem medo de ser machucada, medo.
Depois menstrua e muda de medo
o de ser engravidada, emprenhada,
na noite do mesmo Aterro.
Tem medo do pai desse filho ser preso,
tem medo, medo
Ela que nunca pode ser ela direito,
ela que nem ensaiou o jeito com a boneca
vai ter que ser mãe depressa na calçada
ter filho sem pensar, ter filho por azar
ser mãe e vítima
Ter filho pra doer,
pra bater,
pra abandonar.
Se dorme, dorme nada,
é o corpo que se larga, que se rende
ao cansaço da fome, da miséria,
da mágoa deslavada
dorme de boca fechada,
olhos abertos,
vagina trancada.
Ser ela assim na rua
é estar sempre por ser atropelada
pelo pau sem dono
dos outros meninos-homens sofridos,
do louco varrido,
pela polícia mascarada.
Fosse ela cuidada,
tivesse abrigo onde dormir,
caminho onde ir,
roupa lavada, escola, manicure, máquina de costura, bordado,
pintura, teatro, abraço, casaco de lã
podia borralheira
acordar um dia
cidadã.
Sonha quem cante pra ela:
“Se essa lua, Se essa lua fosse minha...”
Sonha em ser amada,
ter Natal, filhos felizes,
marido, vestido,
pagode sábado no quintal.
Sonha e acorda mal
porque menina na rua,
é muito nova
é lua pequena demais
é ser só cratera, só buracos,
sem pele, desprotegida, destratada
pela vida crua
É estar sozinha, cheia de perguntas
sem resposta
sempre exposta, pobre lua
É ser menina-mulher com frio
mas sempre nua.
sozinha como que suspensa no céu
Vira mulher sem saber
sem brinco, sem pulseira, sem anel
sem espelho, sem conselho, laço de cabelo, bambolê
Sem mãe perto,
sem pai certo
sem cama certa,
sem coberta,
vira mulher com medo,
vira mulher sempre cedo.
Menina de enredo triste,
dedo em riste,
contra o que não sabe
quanto ao que ninguém lhe disse.
A malandragem, a molequice
se misturam aos peitinhos novos
furando a roupa de garoto que lhe dão
dentro da qual menstruará
sempre com a mesma calcinha,
sem absorvente, sem escova de dente,
sem pano quente, sem O B.
Tudo é nojo, medo,
misturação de "cadês".
E a cólica,
a dor de cabeça,
é sempre a mesma merda,
a mesma dor,
de não ter colo,
parque
pracinha,
penteadeira,
pátria.
Ela lua pequenininha
não tem batom, planeta, caneta,
diário, hemisfério,
Sem entender seu mistério,
ela luta até dormir
mas é menina ainda;
chupa o dedo
E tem medo
de ser estuprada
pelos bêbados mendigos do Aterro
tem medo de ser machucada, medo.
Depois menstrua e muda de medo
o de ser engravidada, emprenhada,
na noite do mesmo Aterro.
Tem medo do pai desse filho ser preso,
tem medo, medo
Ela que nunca pode ser ela direito,
ela que nem ensaiou o jeito com a boneca
vai ter que ser mãe depressa na calçada
ter filho sem pensar, ter filho por azar
ser mãe e vítima
Ter filho pra doer,
pra bater,
pra abandonar.
Se dorme, dorme nada,
é o corpo que se larga, que se rende
ao cansaço da fome, da miséria,
da mágoa deslavada
dorme de boca fechada,
olhos abertos,
vagina trancada.
Ser ela assim na rua
é estar sempre por ser atropelada
pelo pau sem dono
dos outros meninos-homens sofridos,
do louco varrido,
pela polícia mascarada.
Fosse ela cuidada,
tivesse abrigo onde dormir,
caminho onde ir,
roupa lavada, escola, manicure, máquina de costura, bordado,
pintura, teatro, abraço, casaco de lã
podia borralheira
acordar um dia
cidadã.
Sonha quem cante pra ela:
“Se essa lua, Se essa lua fosse minha...”
Sonha em ser amada,
ter Natal, filhos felizes,
marido, vestido,
pagode sábado no quintal.
Sonha e acorda mal
porque menina na rua,
é muito nova
é lua pequena demais
é ser só cratera, só buracos,
sem pele, desprotegida, destratada
pela vida crua
É estar sozinha, cheia de perguntas
sem resposta
sempre exposta, pobre lua
É ser menina-mulher com frio
mas sempre nua.

GRUDE (Elisa Lucinda)
As noites que não são contigo
eu não exatamente durmo, eu rolo.
Você não há
não há desenrolar de coxas,
colchas e entremeios.
Não há dobrar de joelhos
se não para rezar.
Então semeio
uma concórdia de lençois
uma não solidão de cafunés
nos cangotes uma não masturbação.
Adormeço
Você é o cheiro que ficou de nós
eu respiro pós dos sonhos
eu latejo
eu planejo
eu oro.
As noites que não são contigo,
eu não exatamente durmo,
eu enrolo.
eu não exatamente durmo, eu rolo.
Você não há
não há desenrolar de coxas,
colchas e entremeios.
Não há dobrar de joelhos
se não para rezar.
Então semeio
uma concórdia de lençois
uma não solidão de cafunés
nos cangotes uma não masturbação.
Adormeço
Você é o cheiro que ficou de nós
eu respiro pós dos sonhos
eu latejo
eu planejo
eu oro.
As noites que não são contigo,
eu não exatamente durmo,
eu enrolo.

DESPERTA ( Maria Teresa Horta)
Desperta-me de noite
o teu desejo
na vaga dos teus dedos
com que vergas
o sono em que me deito
É rede a tua língua
em sua teia
é vício as palavras
com que falas
A trégua
a entrega
o disfarce
E lembras os meus ombros
docemente
na dobra do lençol que desfazes
Desperta-me de noite
com o teu corpo
tiras-me do sono
onde resvalo
E eu pouco a pouco
vou repelindo a noite
e tu dentro de mim
vai descobrindo vales.
o teu desejo
na vaga dos teus dedos
com que vergas
o sono em que me deito
É rede a tua língua
em sua teia
é vício as palavras
com que falas
A trégua
a entrega
o disfarce
E lembras os meus ombros
docemente
na dobra do lençol que desfazes
Desperta-me de noite
com o teu corpo
tiras-me do sono
onde resvalo
E eu pouco a pouco
vou repelindo a noite
e tu dentro de mim
vai descobrindo vales.

OS TEUS OLHOS ( Maria Teresa Horta ) in “Poesia Reunida”, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2009
Direi verde
do verde dos teus olhos
de um rugoso mais verde
e mais sedento.
Daquele não só íntimo
ou só verde
daquele mais macio
mais ave
ou vento.
Direi vácuo
volume
direi vidro
Direi dos olhos verdes
os teus olhos
e do verde dos teus olhos vício.
Voragem mais veloz
mais verde
ou vinco
voragem mais crespada
ou precipício.
INVOCAÇÃO AO AMOR ( Maria Teresa Horta )
Pedir-te a sensação
a água
o travo.
Aquele odor antigo
de uma parede
branca.
Pedir-te da vertigem
a certeza
que tens nos olhos
quando me desejas.
Pedir-te sobre a mão
a boca inchada
um rasto de saliva.
na garganta
Pedir-te que me dispas
e me deites
de borco e os meus seios
na tua cara.
Pedir-te que me olhes
e me aceites
me percorras
me invadas
me pressintas.
Pedir-te que me peças
que te queira
no separar das horas
sobre a língua.
Meu ciúme
meu perfil
minha fome.
Meu sossego
minha paz
minha aventura.
Meu sabor
minha avidez
saciedade.
Minha noite
minha angústia
meu costume.
19/06/2018
Colho
o mel dos teus olhos
tecido na minha ternura impaciente. Lavo-te os dias
e deixo-os incólumes
nos seus traços de carvão certeiro. Deixo-te a angústia tão nítida como a desenhaste
o fio do lápis sem fim, nem semanas
deixo-te os meses, os anos
com os traços fortes intactos. Só levo um pouco do mel
que vais derramando
sedento
pedindo timidamente
o seio.
10/06/2018
CARNE E OSSO (Humberto Effe & Luiz Gustavo)
Você é minha cadeia, enjaulado fico preso no seu corpo
Você me caça em suas teias como seu escravo,
Selvagem não me canso
Pra que fugir, me entregar, me entregar é a única saída
Como seu escravo me perdi na sua selva.
Meu coração Meu coração
Preso nessa cela abre as pernas da sua paixão.
O mundo anda mal, mas sou eu que não presto
Sou resto de um ideia, de uma outra rebeldia
O povo dessa cela se balança de alegria
Vejo a tristeza se encharcar de euforia.
Bamba balança balança suas rédeas
Querem o meu leite e o suor das minhas tetas
Você me encontrou e fechou todas as portas
Bebe do meu leite e do suor das minhas tetas.
Enquanto feras estão soltas, você me tortura a cada carência
A cada violento arranhão
Se pensa que isso é paixão, esqueça.
Certas coisas não se sentem só no coração
Será que alguém entende o meu amor?
Você deve compreender o meu estranho jeito de ser demente
Escravo do seu corpo
DOCE DE NÓS ( Marina Lima )
Qual de nós
Vai olhar o placar
Quem vai decidir
Já raiou
E eu prefiro cozinhar
Restos da calda de mel.
Que serviu
Pra nós dois
Outros tempos assim
Já nos adoçou
Eu por mim
Te apertava contra mim
Até essa dor flutuar.
É um jogo violento
É meio mal versus bem
Vamos ficar atentos e nos darmos bem
O amor as vezes pira
E gosta de provocar
Causa as maiores brigas
Só pra testar o ar.
Então passe o sal
Ou desligue o motor
Só não saia daqui
Vem reinar a medida do amor
Vem me invadir.
01/06/2018
TREM DO PANTANAL (Geraldo Roca - Paulo Simões )
Enquanto este velho trem atravessa o pantanal
As estrelas do cruzeiro fazem um sinal
De que este é o melhor caminho
Pra quem é como eu, mais um fugitivo da guerra.
Enquanto este velho trem atravessa o pantanal
O povo lá em casa espera que eu mande um postal
Dizendo que eu estou muito bem vivo
Rumo a Santa Cruz de La Sierra.
Enquanto este velho trem atravessa o pantanal
Só meu coração está batendo desigual
Ele agora sabe que o medo viaja também
Sobre todos os trilhos da terra.
Pintura de Mauricio Saraiva)
29/05/2018
COSMOCÓPULA (Natália Correia)
I
Membro a pino
dia é macho
submarino
é entre coxas
teu mergulho
vício de ostras
II
O corpo é praia a boca é a nascente
e é na vulva que a areia é mais sedenta
poro a poro vou sendo o curso da água
da tua língua demasiada e lenta
dentes e unhas rebentam como pinhas
de carnívoras plantas te é meu ventre
abro-te as coxas e deixo-te crescer
FOI UM BEIJO (Martha Medeiros)
foi um beijo onde não importava a boca
só tuas mãos quentes me apertando pelas costas
nada estava acontecendo na minha frente
e a ansiedade que havia não era pouca
teus dedos perguntavam pra minha blusa
se meu corpo acolheria um delinquente
descoladas as línguas um instante
PUXEI A MANGA DA CAMISA (Martha Medeiros)
puxei a manga da camisa um pouco pra cima
perto do cotovelo, e abri o botão calmamente
como se fizesse isso todo dia na tua frente
não te olhei como amiga nem professora
e não liguei para a pouca idade que tinhas
eu era mais madura e você mais coerente
tinha certeza de tudo mas não se mexia
passei a mão no teu cabelo
te beijei na testa, no queixo
beijei tua nuca e tua boca
e fui a primeira mulher nua da tua vida
perto do cotovelo, e abri o botão calmamente
como se fizesse isso todo dia na tua frente
não te olhei como amiga nem professora
e não liguei para a pouca idade que tinhas
eu era mais madura e você mais coerente
tinha certeza de tudo mas não se mexia
passei a mão no teu cabelo
te beijei na testa, no queixo
beijei tua nuca e tua boca
e fui a primeira mulher nua da tua vida
Assinar:
Postagens (Atom)






















