"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
27/04/2020
SEIOS (Hildo Rangel)
Teus seios pequeninos que em surdina,
pelas noites de amor, põem-se a cantar,
são dois pássaros brancos que o luar
pousou de leve nessa carne fina.
E sempre que o desejo te alucina,
e brilha com fulgor no teu olhar,
parece que seus seios vão voar
dessa carne cheirosa e purpurina.
Eu, para tê-los sempre nesta lida,
quisera, com meus beijos, desvairado,
poder vesti-los, através da vida,
para vê-los febris e excitados,
de bicos rijos, ávidos, rasgando
a seda que os trouxesse encarcerados.
pelas noites de amor, põem-se a cantar,
são dois pássaros brancos que o luar
pousou de leve nessa carne fina.
E sempre que o desejo te alucina,
e brilha com fulgor no teu olhar,
parece que seus seios vão voar
dessa carne cheirosa e purpurina.
Eu, para tê-los sempre nesta lida,
quisera, com meus beijos, desvairado,
poder vesti-los, através da vida,
para vê-los febris e excitados,
de bicos rijos, ávidos, rasgando
a seda que os trouxesse encarcerados.
ORGIA (Liz Christine)
Gemidos
Sussurro
Lábios, pele, beijo
Em seus ouvidos
Ainda procuro
Como descrever o que vejo?
O que sinto ao te ver
Em meio a essa orgia
Nunca quis te pertencer
Tão livre, e você nem sabia
Tudo que poderia
Encontrar
Experimentar
Em si mesma, você
Minha nudez
Meu prazer
Você vê
Um engano? Talvez
Eu queira ser
Sua, talvez, eu nem sei
O que eu senti?
Ao te ver me olhando
Você beijando alguém
Uma pessoa gemendo
E eu gozando
Quero o seu beijo, vem
Estou dizendo
Sussurrando
Meus lábios te procurando
E outro corpo me domina
Outra língua me fascina
Vários corpos, sua mão
E eu tento dizer
Eu te amo
Amo sua mão
Mas você nem vai saber
Que era pra você que eu falei
E foi então
Nesse exato momento
Que escutei
Algum pensamento
Alguém pensando em voz alta
"aquela ali, a ruivinha
a ruivinha é a mais tarada"
Eu, tarada?
Nem vou responder
Te amo calada
E nem vou me arrepender
De estar te pervertendo
Você não era assim
Se liberte em mim
Amor, orgia
Talvez algum dia
Você saiba que eu sentia.
DEPRAVAÇÃO (Liz Christine)
Escrever poesia sobre poesia?
Seu corpo é poesia
Sua voz me domina
Tão macia
Você é matéria-prima
Se converte
em poesia
Sua voz me derrete
Você é doce melodia
Que me aquece
Toque, pele, olhar
Basta respirar
Sua respiração
me excita
Porque arte é tesão
Paixão na escrita
Quero sua penetração.
Invadida
Pela criação
Fudida
Por você, paixão
Eu quero, preciso e me entrego
Te amo e não mais nego
Não nego, omitir
Não é admitir.
Nem ouse perguntar
Escrevo por estar
Sentindo
Que amar
É forte, intenso, lindo
Seu olhar
Me despindo
Vem me seduzindo
Vem e me abraça
E me pega
Com violência, amor
Sou devassa
Minha mão escorrega.
E já estou te abraçando
Seus dedos deslizam
Provocando
Prazer, arrepios, desejos
Que se concretizam
E já estou segurando
A paixão concretizada
Não está mais assustando?
Amor, continue me depravando.
Depravar é alterar
E estou me entregando
Te amar
Não está me machucando.
Você tinha razão.
Amor é prazer e diversão
Com conteúdo
E tesão
Profundo
Amor é tudo.
TULIPA VERMELHA (Letícia Luccheze)
A livraria, perfumaria, supermercado, floricultura.
O cinema.
A loja de roupas, acessórios, cremes.
Ao cair da tarde.
O decote em meio as pernas e nos seios transpirarem.
No olhar um convite ao deleito do prazer.
Flutuava no caminhar,
levando os homens à perdição.
Pessoas vinham e iam.
O maço de flores.
Desejada!
Chamava atenções.
A negra noite cobriu o gramado umedecido;
juntamente com as estrelas que o céu acolhia.
Do alto da janela a fragrância.
Doce, quente, sagaz, ardente.
Libertava os instintos selvagens.
Sussurros de gemidos...
...gemidos de sussurros...
...sussurros de gemidos...
Flores ao ar foram ao chão.
Suadas, embranquecidas.
GEOGRAFIA ABSTRATA ( Eliana Mora )
Estou com muita saudade
da tua geografia
e olhando esta paisagem
lembrei-me daquele abraço
que aconteceu na garagem
os carros por testemunha
calados a perceber
que alguém chegou por aqui
para vida oferecer.
E o que de há muito queria
sonhando na
minha cama
ganhou honras de verdade
e eu nem realizara
tudo o que tinha vontade.
Acho que agora lembrei
te vi no sonho a meu lado
e então aproveitei
que estavas junto a mim
e deixei de ser prudente
pedi mesmo que fizesses
tudo aquilo que quizesses
que me deixasse
demente
que colocasse algo quente
aqui bem dentro de mim.
Tu ficaste arrepiado
com o teu corpo grudado
nesta pele
de menina
e com o norte e o sul
virando de leste a oeste
iniciamos viagem
sem querer imaginar
quando começa
ou termina.
O desejo do teu corpo
tua pele tua carne
traz teu cheiro teu sabor
e chego a te ver aqui
sussuro grito
e berro
falo alto até cansar
palavras de todo tipo
para me aliviar.
E essa paixão danada
parece estar desenhada
no mapa de
dois amantes.
Mas ela avisa que pode
e precisa ser
de todos
de príncipe e de duquesa
de realeza e povão
com rota sempre perfeita.
Passaporte
de beleza
Viagens
do coração.
OS TEUS OLHOS ( David Mourão Ferreira )
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ELE (Julieta Lima)
Ele
Agarra-me os cabelos
Morde-me os braços
Beija-me os dedos
E não me diz nada
Não me toca sequer.
Mas para eu me sentir amada
E me sentir mulher
Bastam-me os seus olhos.
Até que eu solte de mim
O cio da fera
Que ando a mascarar de branca asa
E o arraste por fim
Sem pudor sem roupa
PRIMEIRO SUSPIRO ( Isabel Machado )
Arromba!
Penetre entre as gretas que te enxergam
Adentre pelos poros que veneram
o teu suor no meu endoidecido.
Arromba!
Por todos os meus lados puritanos
tão virgens e tão castos, espartanos
te engulo feito louca ao teu gemido.
Arromba!
Teu gozo exploda em mim feito uma bomba
debata-se e debata-se vencido
calando o meu grunhir na tua boca.
E...
depois da casa arrombada
não reste mais nada
UNIVERSO MASCULINO (Rosa Clement)
Quando o luar se inclina pela janela
e mostra tua nudez,
és como um céu luminoso,
e eu quero compartilhar com a lua,
teu universo masculino.
A lua se deita no teu peito,
eu aqueço ainda mais teu corpo
com os meus lábios mornos.
Mas eu, sou tua estrela do desejo,
teu astro em fogo, na cama.
São as luzes do jardim
que desenham sombras voluptuosas
com as nossas silhuetas,
porque a lua envergonhada
se esconde no seu próprio céu.
Eu fico para explorar o meu,
A PELE E O VENTO ( Nálu Nogueira )
Quando a madrugada vem
e o vento sopra
a pele em poesia desabrocha
dizendo nua os versos de
arrepios.
E se o vento sopra sussurrante
como uma brisa morna estremecendo
os pelos
a pele, que é poesia,
mergulha em desvarios
e canta para a lua seus versos
de delírios
e espera suplicante o toque
redentor.
(até que o vento, em sopros
de amor
se deita sobre a pele
e suas mãos segura.)
então a pele, agora em loucura
sente os cabelos longos do vento
lhe fazerem cócegas; ouve os
sussurros do vento em suas costas
sente sobre si o peso do desejo
e cândida, rende-se;
lânguida, deita-se;
ávida, molha-se;
sente nas costas o peso
do vento
e treme;
agita-se;
inunda-se;
e sonha;
tem dentro de si o corpo
do vento
e tranca-se;
e move-se;
e geme;
e goza
(grávida, imensa, grata, plena);
quando a madrugada vem
e o vento sopra
a pele em poesia desabrocha
e a vida inteira fica
NOTURNOS VIII (Gilka Machado )(1893-1980)
É noite. Paira no ar uma etérea magia;
nem uma asa transpõe o espaço ermo e calado;
e, no tear da amplidão, a lua, do alto, fia
véus luminosos para o universal noivado.
Suponho ser a treva uma alcova sombria,
onde tudo repousa unido, acasalado.
A Lua tece, borda e para a terra envia,
finos, fluidos filos, que a envolvem lado a lado.
Uma brisa sutil, úmida, fria, lassa,
erra de vez em quando. E uma noite de bodas
esta noite… há por tudo um sensual arrepio.
Sinto pelos no vento… e a volúpia que passa,
Flexuosa, a se rocar por sobre as casas todas,
07/03/2020
MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA, in POESIA REUNIDA
Deita-te aqui - esta noite, dentro de mim,
está tanto frio. Se fores capaz, cobre-me de
beijos: talvez assim eu possa esquecer para
sempre quem me matou de amor, ou morrer
de uma vez sem me lembrar. Isso, abraça-me
também: onde os teus dedos tocarem há uma
ferida que o tempo não consegue transportar.
Mas fecho os olhos, se tu não te importares, e
finjo que essa dor é uma mentira. Claro, o que
quiseres está bem - tudo, ou qualquer coisa,
ou mesmo nada serve, desde que o frio fique
no laço das tuas mãos e não regresse ao corpo
que te deixo agora sepultar. Não sentes frio, tu,
dentro de mim? Nunca nevou de madrugada no
teu quarto? Que país é o teu? Que idade tens?
04/01/2020
SENTI ORGASMOS ( Clara Patachão )
Sensualidade meu corpo.
Eco dos teus abraços eleva os meus passos.
Senti orgasmos no vestir e despir de sonhos.
Senti perigo e desejo desse abrigo.
Na bússola do inverno sou rio de sangue fervendo
e desfolho a minha sensualidade. Nas entranhas do meu ser. Aguento o fluir de água corrente que arde no tempo.
Sou combustão e paixão no ritual do coração.
Alucinante na dança erótica da tua boca fico louca!
A minha língua viaja no céu da tua boca
Como fêmea no suor dos meus poros
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