Clarice,
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
07/05/2023
VISÃO DE CLARICE LISPECTOR (Carlos Drummond De Andrade)
30/04/2023
ABSOLVER (Adilia Lopes )
"Mas Maria guardava todas essas coisas,conferindo-as em seu coração."(Lc 2,19)
IMÓVEL ( Miriam Reyes ) Tradução: Nelson Santander
abandonado a teu peso de homem imóvel
olhas-me com antiquíssimos ressentimentos.
NUDEZ ( Ellen Bass ) Tradução: Nelson Santander
A primeira vez que vi o pênis do meu namorado
pensei que o pau estaria coberto de pelos,
levou para a praia.
ODE LOUCA ( Filipa Leal )
Todos os homens têm o seu rio.
A SOLIDÃO ( Sophia de Mello Breyner Andresen )
A noite abre os seus ângulos de lua
E em todas as paredes te procuro
Eu te procuro.
CANÇÃO DE MATAR ( Sophia de Mello Breyner Andresen )
Do dia nada sei
Com uma faca limpaMe libertareiDo teu sangue que põeNa minha alma nódoas
Do dia nada seiCom uma faca limpa
ROSTO NU ( Sophia de Mello Breyner Andresen )
Rosto nu na luz directa.
NAS PRAIAS ( Sophia de Mello Breyner Andresen )
QUE O TEU GLÁDIO ( Sophia de Mello Breyner Andresen )
Que o Teu gládio me fira mortalmente.
AH, FALEMOS DA BRISA (Eugénio de Andrade)
Eu dizia:
PROCURA A MARAVILHA (Eugénio de Andrade) in Obscuro Domínio 1972; Assírio & Alvim, 2013.
Procura a maravilha.
29/04/2023
LUXÚRIA ( Roberta Tostes Daniel )
De quanto eu te olho.
GARIMPO ( Anna Apolinário )
Que teus lábios busquem sem cessar
O MEDO DE QUE ME VISSES NUA ( Carol Ruiz ) Este poema integra o livro Raízes, publicado em 2022 pela Editora Patuá.
O medo de me que vissem nua
-A mulher herda fantasmas sob os ossos.
POR DELICADEZA ( Sophia de Mello Breyner Andresen )
Bailarina fui
O SUMO FRESCO ( Luiza Nilo Nunes )
Vieram negras as sementes do abandono
e nos teus ossos iniciaram-se os ofícios.
Tu, discípula da sombra.
Tu que acendes os teus lábios pelos
fósforos escuros
e incendeias a floração da tua língua.
Tu que levas nos cabelos um registo de orfandade
e sobre a pele um cheiro podre de
lençóis hospitalares
como um hálito de flor
ou um lentíssimo perfume.
Tu, discípula da rosa dos outonos,
que amanheces e desovas como um saco de embriões
e vertes litros de mirtilos sobre os pés,
o sumo fresco dos estábulos da morte
e que às escuras, como um lírico cordeiro,
ofereces em autópsia o teu ventre expiatório
e iluminas com o brilho dos teus dentes
os sorrisos das caveiras incubadas nos espelhos.
Tu que clamas e ressoas livremente nas cidades
como um fúnebre tambor
mas amordaças os espinhos do teu
sexo de cinzas,
o teu cálice apagado pela lívida aliança
e adoeces como um nódulo
ou uma caixa de silêncio
pelo homem que exauriu no sono angélico das pombas,
pelo homem-esqueleto a revestir-se nos pomares,
pelo homem de pulmões nupciais,
cheios de algas tenebrosas,
pelo homem enxertado de moscardos e abundâncias,
o rapaz da deserção e do livor,
dos favos roxos nas narinas,
da dulcíssima agonia
do mel.
















