20/01/2024

COM O DIABO NO CORPO ( Déborah de Paula Souza ) In O Livro Vermelho

 De forma que entra

sem cerimônia
no corpo da mulher
bufando como animal
com chifres quase alados

De modo que toca o intocável
e bole e dança
até que ela lhe prepare
com alegria e gritos
perfumes, crianças
e toda sorte de escândalos

De maneira que agarra
seus cabelos
e respira como um bicho
recendendo a sândalo
e molha seu corpo
com saliva e cuidados

É assim que penetra o diabo
fundo como punhal ou lembranças
e só dentro da mulher ele alcança
a paz e seus contrários

Então é homem, filho, calmaria
santo profeta de velhas mesquitas
irmão do que é belo e são
senhor das coisas benditas

MODO DE AMAR ( Silvana Guimarães )

 não fales das tempestades

que colhes por debaixo dos
meus frágeis vestidos escuros
(não contes como sou feita de escuros)
nem da fúria com que os arrancas de mim

não fales do meu anel
de como envolve teu dedo
(não contes que dedo)
nem o que eu faço com ele
pra te ouvir chorar

XXIV - ORGASMO ( Luíza Mendes Furia ) De Vênus em Escorpião; São Paulo, 2001


Escuto
este silêncio no meu sangue

rio suaviloqüente na noite
azul e brilhante

É assim que
aflui aos lábios:
com delicadeza

E propaga
em longas ondas pela treva
sua música de seda.

XXIII ( Luíza Mendes Furia ) De Vênus em Escorpião; São Paulo, 2001


Pões no meu lábio a cor escura das cerejas
Eu coloco a língua purpúrea nos teus lábios
para colher a fruta oculta no teu ventre
embebedar-me da doçura do seu sumo.

Então derramas vinho em minha boca
depois lambes o rubro dos meus seios
e há um roçar de pétalas vermelhas
transmutando seu perfume em chamas lentas

Até que irrompa o incêndio na penumbra
e suba, incontrolável, um grito ardente.

Depois, tudo serena em meio às cinzas
e mergulhamos no sono oloroso e fundo
com que os deuses presenteiam suas fênix.

XXI ( Luíza Mendes Furia ) De Vênus em Escorpião; São Paulo, 2001


Tua língua
é chama e pétala
na minha boca

Uma orquídea
rósea e fulva
se alastra no meu ventre

Selvagem e pura
no meu corpo
te enraízas.

XVI ( Luíza Mendes Furia ) De Vênus em Escorpião; São Paulo, 2001


Acaricia
meu rosto com teu rosto
meu sexo com teu sexo
Ondula
meu mar, me salga,
me trespassa, reinaugura
a aurora entre meus seios

Venta em meus cabelos
Chove no meu peito
Semeia e colhe

Acolhe
minhas mãos, meus olhos,
faz-me ser tua

Porque eu desejo o teu desejo
Porque eu só me encontro quando me procuras.

X ( Luíza Mendes Furia ) De Vênus em Escorpião; São Paulo, 2001


Não. Não há nenhuma emoção.
Apenas uma folha seca sob a blusa.
E no lugar do sexo uma concha oca.

Prazeres calcinados
Paixão cauterizada
como uterina ferida.

Nenhuma emoção. Nenhuma voz
a sacudir o corpo em fogo ou lágrimas
ternura ou espasmos.

Apenas a esperança muda
de que ninguém pise na folha seca
sob a blusa.

FLUXO ( Solange Firmino )

 Os dias se movimentam

em procissão contínua
águas de Heráclito
nos diferentes rios
relógios nas longas noites
siderais
astros e seus atos
em danças geométricas

Estrelas se formam
a cada instante que
inspiro
respiro
raios de sol tocam
seus acordes
nas frestas dos ventos
que copulam nas asas
dos pássaros
meu filho sorri no
mistério da existência

Silêncio ruído solstício
morte nascimento guerra
gira o mundo
em ritmo novo
repetição
sempre igual.

ESFINGE ( Solange Firmino )

 Decifra meu enigma

e toda a verdade,
toda a essência
por trás do verso.

Segue pela trilha do meu corpo
e revela a paisagem escondida.
Repousa sem tédio no meu abraço.
Implora pelo princípio e fim
de cada ato.

Descobre o segredo que habita
onde me esquivo,
onde a pergunta é só disfarce,
reverso.

Se me escondo,
é para devorar melhor.


DEUS E O DOMINGO ( Eunice Arruda )

 Eu ia ser feliz

domingo
naquele tempo bastava pouco
Não sabia que no
domingo
é fácil chover
e muito difícil viver
Ah, eu ia ser feliz
Mas
domingo Deus descansa
e a gente sofre mais

TINHAS UM NOME DE TRIGO E DE SILÊNCIO (António Ramos Rosa)

 Tinhas um nome de trigo e de silêncio

e no círculo da tua íris a melancolia
de um verde leve e de um lilás suave.
O teu sorriso cintilava como o oiro da penumbra
O vento da sombra despenteara-te os cabelos
e o negro ramalhete de uma madeixa esguia
pendia sobre a tua fonte pálida e indecisa
Aproximei-me do seu rosto como uma vogal branca
e acariciei-o como se acaricia uma nascente de linho
ou uma pequena estrela limpa uma andorinha branca
e com os meus dedos soletrei-lhe todas as minúcias mágicas
Pronunciou então o meu nome num murmúrio de seda
ou como um óleo de lua. O meu sangue deslizou
sob uma chuva de pólen para o lábio de uma praia
entre a primavera e o outono da ternura
Minha pequena estrela que julgara perdida
erguia-se da água com os ombros esguios
e da fonte dos ventos mais suaves
como uma ânfora de linfa ou um ramo de oiro pálido

19/01/2024

MEMÓRIA SOBRE OS TEUS OLHOS ( António Gedeão )

 Magníficos.

como os jactos que aguardam no aeroporto o iminente sinal da partida,
seus grandes olhos imensos escorvam, impacientes,
o subsolo da imagem pressentida.

Perfurantes como as brocas dos mineiros,
pontas de aço-vanádio
que o cubro alcançam sem perder o gume,
um fogo o olhar o queima, um mar invade-o,
um lume feito de água, água de lume.
Súbito, seus grandes olhos imensos descolam e levantam voa.
Ei-los que sobem.

Seu movimento é como se apenas as coisas deles se afastassem,
é como se move o tempo, sem agravo nem estrago,
como boiam as folhas na dormência do lago,
como bate o coração do homem enterrado no chão.

Na estática subida a que se entregam
são o próprio silêncio em que navegam,
são a curva do espaço,
a quarta dimensão.

Cá em baixo,
onde as superfícies se avaliam
multiplicando pi por érre dois,
um formigueiro de bois
desenha na planície coloridos talhões.
Cumprem-se as sementeiras.
As cores são as bandeiras;
os regos, os limites das nações.

Um rabiar de células,
Cultura de bactérias num capacete de aço,
ziguezagueiam, obstinadas como libélulas,
num charco de sargaço.

Entretanto,
seus grandes olhos imensos olham, e olhando,
no desígnio frontal que não hesita nem disfarça,
com linhas de olhos vão bordando a talagarça.

Sento-me à secretária,
preparo-a, limpo-a, esfrego-a
na aflita busca do mais puro espaço,
e com o esquadro e a régua,
o lápis e o compasso,
construo os olhos d'Ela.

Deliberada e escrupulosamente
ergue-se a construção de arquitectura mansa,
quase cinicamente,
como quem premedita uma vingança.

(Aliás
o engano, a ilusão,
a mentira, a falsidade,
o perjúrio, a invenção,
tudo, em Amor, é verdade.)
Eis os mais lindos olhos deste mundo.
O Amor os fez.

Proas de galeões de velas pandas,
meninas a correr que chegam às varandas
olhando o mundo pela primeira vez.

Dou-lhes uns toques nas íris, um tempero
na plácida inocência,
um miligrama de cianeto, morte sem desespero,
acicate da humana permanência.

Sobre o fundo sombrio um tom de folha seca
de plátano, uns veios
de clorofila,
mancha irisada
em redor da pupila,
óleo vertido no asfalto da estrada.

Encosto o rosto às mãos, e embevecido
contemplo a construção de linhas,
e finjo-me esquecido
como se não soubesse que são minhas.

Como se não soubesse
comovo-me e entrego-me no sorriso total,
Construo o meu real
conforme me apetece.

O MAMÃO ( Ana Paula Tavares )

 Frágil vagina semeada

pronta, útil, semanal
Nela se alargam as sedes

no meio
cresce
insondável

o vazio...




 

 


POEMA DA MENINA TONTA ( Manuel Lopes Fonseca )

 A menina tonta passa metade do dia

a namorar quem passa na rua,
que a outra metade fica
pra namorar-se ao espelho.

A menina tonta tem olhos de retrós preto,
cabelos de linha de bordar,
e a boca é um pedaço de qualquer tecido vermelho.

A menina tonta tem vestidos de seda
e sapatos de seda,
é toda fria, fria como a seda:
as olheiras postiças de crepe amarrotado,
as mãos viúvas entre flores emurchecidas,
caídas da janela,
desfolham pétalas de papel

No passeio em frente estão os namorados
com os olhos cansados de esperar
com os braços cansados de acenar
com a boca cansada de pedir

A menina tonta tem coração sem corda
a boca sem desejos
os olhos sem luz
E os namorados cansados de namorar
Eles não sabem que a menina tonta
tem a cabeça cheia de farelos.

POEMA DO CADERNO DE DESENHOS ( Ana Cristina Cesar )

 descuido não (concentração) lembrar da caretice que você não gosta.

reaproveitar o casaquinho de banton.
quando você mal pensa que é novidade, não é.
Existe uma medida entre o descuido e a
premeditação — trata-se do cuidado (floating
attention). Daí escapam maps of England birds, pessoas seguindo numa certa direção,
bichos que vão virando gente, discretamente eróticos, desejando
mancha transparente e diluída de aquarela cor de rosa,
see?
Medida exata entre o acaso e a estrutura.
Aprender fazendo, baby.
começar pelas médias (daí para pequenas, depois para grandes)

VOZ DE SANGUE ( Agostinho Neto )

 Palpitam-me

os sons do batuque
e os ritmos melancólicos do blue

Ó negro esfarrapado do Harlem
ó dançarino de Chicago
ó negro servidor do South

Ó negro de África
negros de todo o mundo
eu junto ao vosso canto
a minha pobre voz
os meus humildes ritmos.

Eu vos acompanho
pelas emaranhadas áfricas
do nosso Rumo

Eu vos sinto
negros de todo o mundo
eu vivo a vossa Dor
meus irmãos.

POEMA ( João José Cochofel )

 O Verão estala por todos os poros

da casca das árvores,
da língua dos cães,
das asas das cigarras,
do bico do peito das mulheres

tão acerado
que rasga o céu de calor
com um golpe preciso
de lanceta.

TARDE ( João José Cochofel )

 Teus olhos húmidos eram lagos

em que nosso desejo se mirava.
Tua boca entreaberta era a mensagem
do teu corpo moço que se dava.

Teu hálito quente
embrulhado de desejo
vinha de não sei lá que profundezas
em que de amor tuas entranhas se abrasavam.

E havia, amor, a envolver-nos,
essa solidão enorme
entre pinheiros, céu e terra quente
da tarde que dorme ...

ANADIÓMENE ( António Feijó )

 Das marinhas espumas engendrada,

essa que vai nas águas cristalinas
sobre a concha de nácar, embalada
pelo coro das horas vespertinas,

da onda que a gerou, ao sol doirada,
no seio ostenta as curvas peregrinas;
deu-lhe a sereia a voz enamorada,
veste-a de encanto a graça das Ondinas...

Ao clarão que em seus olhos amanhece,
a Natureza alvoroçada acorda
e de prazer e júbilo estremece,

porque do Amor a misteriosa essência
dos seus peitos, já túmidos, transborda
como o supremo encanto da existência.

ARTE POÉTICA ( Mário Dionísio )

 A poesia não está nas olheiras imorais de Ofélia

nem no jardim dos lilases.
A poesia está na vida,
nas artérias imensas cheias de gente em todos os sentidos,

A poesia não está nas olheiras imorais de Ofélia
nem no jardim dos lilases.
A poesia está na vida,
nas artérias imensas cheias de gente em todos os sentidos,
nos ascensores constantes,
na bicha de automóveis rápidos de todos os feitios e de todas as cores,
nas máquinas da fábrica e nos operários da fábrica
e no fumo da fábrica.
A poesia está no grito do rapaz apregoando jornais,
no vaivém de milhões de pessoas conversando ou prague­jando ou rindo.
Está no riso da loira da tabacaria,
vendendo um maço de tabaco e uma caixa de fósforos.
Está nos pulmões de aço cortando o espaço e o mar.
A poesia está na doca,
nos braços negros dos carregadores de carvão,
no beijo que se trocou no minuto entre o trabalho e o jantar
— e só durou esse minuto.
A poesia está em tudo quanto vive, em todo o movimento,
nas rodas do comboio a caminho, a caminho, a caminho
de terras sempre mais longe,
nas mãos sem luvas que se estendem para seios sem véus,
na angústia da vida.

A poesia está na luta dos homens,
está nos olhos abertos para amanhã.

17/01/2024

TUA LÍNGUA ( Luiz Alberto Machado )

 Tua língua toca minha alma

és o poço das galáxias longínquas
e vejo a lua lindo, cheia, radiante
no céu da tua boca
eu já era a Torre Eiffel
e em meu coração mais batia a vida
Eu te entumesço o rosto
lambuzo teus lábios rubros
enterro-te minha lâmina
no mormaço da tua língua faminta
cresço-me, enrijeço-me, teso
pau madeira-de-lei
acossado pela tua carícia
ah! a tua gula pulsa minha
nos meneios de veludo do teu toque
todos os truques para me capturar
eu e meu míssil dominado
Rara e feita me engole
debruçada sobre o meu cajado
como se fosse a melhor comida
o pico do Aconcágua em transe
buscando a ejaculação constante do meu Etna
com teu faro que desembaínha meus grunhidos
e levita só assim desfalecido
me devolves a vitalidade

UM OLHAR ( Kátia Cerbino )

Um olhar...
tudo foi fotografado.
Trago ainda na pele
o rastro do teu afago.
Meu seio,
qual monte de feno,
onde deitavas
a sonhar sereno.
Guardo nas entranhas
tuas impressões digitais.
Esquecê-las? Jamais.
Nos lábios,
o calor de uma febre terçã,
como o derradeiro beijo
de Camille em seu Rodin.


E NÃO NAVEGA MAIS RIO QUE SEU CORPO ( Antom Laia López )

 O nosso amor une-se subterrâneo

como as mãos agretadas de trabalho,
como os grãos de milho serodio,
como o río que no poço desemboca!

Nosso amor, sinal acesa nos espaços,
como os olhos que se abrem e se fecham,
como as lilás que tardias arrecendem,
como labres que se bicam fondamente!

O nosso amor, águas navegaveis surcando
nos seios frondosos da selvagem,
plenitude azul de tudos os anseios.

O nosso amor que se une subterrâneo
nas noites furiosas dos abraios,
fértil arvoreda na Fraga dos Esqueços.

E nom navego mais rio que o teu corpo!



16/01/2024

MAR SONORO ( Sophia de Mello Breyner Andresen )

Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho.
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.

14/01/2024

O RIO APENAS DE LEVE ( António Osório )

 O rio apenas de leve

se mexia e virava:
menino dormindo,
suspirava de calor.

- Que sabes (disse Eva) da corrente
do teu sangue?
escuta em mim:
sentirás este fundo rumor do mar,
ondas que tocam na terra,
regressam e voltam
para teu corpo.

SALADA ( David Mourão Ferreira )

 Depois do sangue misturado,

depois dos dentes, dos lamentos,
estamos deitados, lado a lado,
e desfolhamos sofrimentos.
Temos trint'anos, mais trezentos
de sofredora exaltação.
É este o cabo dos tormentos?
Ai, não e não! Ainda não.
Saboreamos o passado
por entre os beijos mais violentos
e mais subtis que temos dado.
E o monumento dos momentos
oscila, desde os fundamentos,
a tão febril consagração.
Mas estacamos, sonolentos.
Agora, não. Ainda não.
Tudo se torna esbranquiçado:
eram azuis, são já cinzentos
os horizontes do pecado. 
Há nos teus ombros turbulentos
cintilações, pressentimentos.
Os nossos corpos descerão
para que abismos lamacentos?
Ah! não, e não! Ainda não!
Eis-vos, de novo, movimentos
que apunhalais a inquietação!
E assim unidos gritaremos
que não e não, que ainda não!

DE TI FIZ A HARPA (Albano Martins)

 De ti fiz a harpa e a lira,

a guitarra.
Outra música não sei.

13/01/2024

XLVI (José Gomes Ferreira )

(Finjo que não vejo as mulheres que passam, mas vejo)

De súbito, o diabinho que me dançava nos olhos,
mal viu a menina atravessar a rua,
saltou num ímpeto de besouro
e despiu-a toda.

E a Que-Sempre-Tanto-Se-Recata
ficou nua,
sonambulamente nua,
com um seio de ouro
e outro de prata.


AUTO - RETRATO ( Natália Correia ) in Poesia Completa

Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.

VASSALA SOLTA NO TEU PRAZER ( Camila Carreira )

 O meu olhar fundia-se em ti.

Vacilei de desejo quando te senti,
Cálido, cercada nos teus braços,
Meu corpo ofegou de ânsia,
Desabou rendido, estendido.
Eramos tão só tu e eu
E a tua pele na minha… ardiam.
Rastilhos febris que se consumiam
As tuas mãos possuíam-me.
O teu olhar penetrava-me.
E teus beijos iam dentro de mim,
E despojavam-me do mundo,
Éramos tão só, tu e eu, nada mais…
Afogueava-me o desejo,
E o prazer intenso de já te ter,
Raspou em mim como uma flecha a arder.
Incendiada, convulsa de prazer,
Entendi que era assim que queria viver
Em ti, por ti, mártir
Vassala solta no teu prazer