"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
11/03/2024
PARA GOZAR ATÉ DOER OS MÚSCULOS ( Roberta Lantyer)
SONETO PERDIDO ( Natalia Klussmann )
SEGREDO DE MENINA ( Laryssa Carreiro )
SEM TÍTULO ( Carol Ruiz )
VESPA-DO-FIGO (Carol Ruiz)
VII (Pietro Nardella Dellova)
VII
Os seus olhos rompem o silêncio
do claustro, e na noite brilham os
lábios avermelhados, na vontade
de beijos loucos, e no acaso reclamam
os abraços e os amores vários,
e estes traços que se mostram
no seu corpo de ternura
delineiam nos meus olhos fitos
o calor dos afagos, e o aperto nos seios,
e o transpirar constante de corpos nus,
deixe-se e permita-me tirar com beijos
e carinhos muitos a espuma dos lábios
e quero despentear os cabelos
e atirar-me aos seios
modificando suas formas
no hirto da ansiedade e dos desejos,
e grite, apertando-me às suas entranhas
com fogo, e força, e com prazer bastante,
e repouse por fim
no aconchego dos braços,
e não pare,
e não pense, e não parta,
apenas, derrame o beijo da sua boca
para que cubra minha boca novamente…
SANTHA ( Isabella Ingra )
se sou a santa a te olhar do meu altar
com sua calça jeans decadente e seu all star
de sempre.
se sou a santa a fugir
na calada da noite para me espremer entre as grutas com os nativos
se sou a santa a chorar as lágrimas
dos meus filhos e gozar a alegria dos meus súditos
se sou a santa a gemer
entre os intervalos desse sino
se sou a santa a vestir uma camisola tão transparente
tão pura
tão marcada entre as coxas
ajoelhe-se e abra a boca.
se sou a santa que implora a própria unção
se me escondo atrás dessas cortinas para que não vejas meus olhos de felina
para não causar confusão entre os irmãos
se sou uma santa ou sua sina
ou sua cisma
fugitiva.
QUALQUER LUGAR ( Isabella Ingra )
se pudesse
te amava no chão
pagaria pela dor nas costas do outro dia
se pudesse
te amava no portão
pagaria pelas fofocas do outro dia
se pudesse
te amava na escada
pagaria pelos quadris doloridos do outro dia
se pudesse
te amava em sonho a noite inteira
pagaria pela nostalgia do outro dia.
se pudesse, eu te amaria.
TULIPA ( Isabella Ingra )
minha flor se abre para você
desabrocha e chora por você
pede por água, tem muita sede
minha flor se escancara por você
pede por água e carinho,
talvez uma conversa
minha flor tímida se abre para você mesmo quando
minhas pétalas retraem diante da dor
mesmo quando o clima está seco
minha flor se abre para você
não me pergunte por quê.
UMA HISTÓRIA QUASE NOSSA ( Graça Pires)
Enquanto me dispo, vão-se os teus olhos cobrindo
07/03/2024
OS PRESTÍGIOS SIMPLES ( António Ramos Rosa )
Conheço as palavras das árvores, as voluptuosas têmporas
das pedras. Toda a minha vida é um sono de árvores.
Vivo oscilando como uma simples coisa
na paz do espaço. Não pergunto às folhas
onde o país unânime. Sou uma chama do ar.
Oscilo na folhagem. Vibro entre mãos aéreas
sobre os sulcos dos insectos. Amo os simples
prestígios, os percursos leves, as sombras verdes.
Esta é a minha casa de pedras e de sol.
Esta é a minha firmeza suave, minha alegria nova.
Estou no meio do vento, sou uma haste solitária.
Bebo as sombras que deslizam numa volúpia aérea.
Dispo-me e sou um tronco, ou um ramo, uma figura da terra.
Adormeço e desperto para o júbilo do mar.
A boca encontra o seio da primeira harmonia.
27/02/2024
MIJO (um poema urgente) (Angélica Freitas)
SEGREDO ( David Mourão Ferreira )
Nem o Tempo tem tempopara sondar as trevasdeste rio correndoentre a pele e a peleNem o Tempo tem temponem as trevas dão tréguasNão descubro o segredo
DIZ- ME O TEU NOME ( Maria Rosário Pedreira )
Diz-me o teu nome – agora, que perdi
24/02/2024
QUERO PEDIR DESCULPA A TODAS AS MULHERES ( Rupi Kaur )
quero pedir desculpas a todas as mulheres
NOTAS DO QUOTIDIANO ( Saru Vidal )
Impulso de acolher o amor,
como uma concha que acolhe a maré.
Gastar o tempo com afeto;
corpo grudento, quente e molhado.
Sentir a água penetrar o estômago,
transformando-se em formigueiro vulvar.
O gosto salgado na língua. uma lágrima no canto do olho.
Dolerse: permitir-se afetar-se com a paisagem.
onde corpos, teias e suspiros sensíveis tricoteiam na praça.
Como é bom sentir-me vivo/ Como é bom o sono profundo.
Como é bom sentir-me alegre/ Como é bom o choro entranhado.
SANGRAR SAGRADO ( Luiza Leite Ferreira )
Tem algo de sagrado em sangrar














