"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
05/08/2024
REFERENCIAL ( Leila Míccolis )
POEMA PARA OS TEUS SEIOS ( Leila Míccolis )
Cerro olhos pra não ver,
MAR SONORO ( Sophia de Mello Breyner Andresen )
Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim,
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho,
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.
03/08/2024
O ÂMAGO DE FRIDA KAHLO ( Thaís Fontenele )
Aqueles olhos, grandes, com inúmeras constelações,
MOMENTOS ( Thaís Fontenele )
O desejo é uma linha tênue entre o encontro e a perdição,e hoje eu não quero me perder,quero me encontrar.
DESATINO ( Thaís Fontenele )
A FRONDE PARTE DOS TEUS OLHOS ( Thaís Fontenele )
DANÇA DE CORPOS ( Thaís Fontenele )
AS ANDANÇAS ( Thaís Fontenele )
LEVAR-TE ( Thaís Fontenele )
O TEMPO ETERNIZADO EM SEGUNDOS ( Thaís Fontenele )
É DE BRUMAS ( Lília Tavares )
que as manhãs se cobrem
antes que o sol aqueça
este vazio,
o orvalho pousa-me
pesado, no corpo.
Sei que me podias
soprar estas gotas
e desnudar-me no inverno
como em pleno estio.
SINTO AUSENTE A TUA VOZ ( Lília Tavares )
Despojada de lágrimas,
Silenciada por temores
Ocultos.
Tão vivo este desejo
De correr e acender
Lumes, rubros calores incandescentes,
Nascentes turbulentas, pedras arrastadas do leito,
Do lugar.
Desejo de desarrumar,
De misturar e separar,
De encontrar novo trilho,
Percorrer,
Sem ser percorrida.
E num lampejo acordo
Rouca de gritar, emudecida,
Suada por gestos esquecidos
Não quero e quero
E de novo, a posse e o desejo
Cavo na concavidade das minhas mãos,
A ausência dorida e funda das tuas.
Onde estás?
Até amanhã.
PÉROLAS DE UM TEMPO ( Lília Tavares )
As fotografias que nunca emoldurei,
HÁ MULHERES COMO HERBÁRIOS ( Lília Tavares )
ANOITECEU A TARDE ( Lília Tavares )
pura de açucenas
procuro a transparência
da tua espera como a um abraço
que me enlace e leve
para o mais profundo de ti.
Batem as horas no sino da capela
que desconhece se é de verão ou de frio
que os sentires se vestem.
Balbucio um chamamento surdo
só o entardecer pode levar a água
deste cântico de coragem e espera.
Sei que é improvável o tocar
dos teus ombros na concavidade
do meu colo grato por me habitares,
sei que a ausência se fatiga, mas a tua não
e que são de cristal e algodão
o toque das nossas mãos.
Por uma noite, um tempo te vou esperar
pois a vida não tem horas
quando as nossas vozes roucas se procuram,
de tanto aguardar, as mãos se retorcem
para depois se acariciarem.
Não pode haver tempo nem pressa
neste livro que se permite ler devagar
pois é nas páginas em que o marcador adormece
que renasce das palavras o amor maior.
OS PÊSSEGOS ( Eugénio de Andrade )
Por Hilda Hilst
Amargura no dia
amargura em todos os teus gestos
DESEJO ( Hilda Hilst ) De "Do Desejo" (1992)
TESTAMENTO LÍRICO ( Hilda Hilst )
Se quiserem saber se pedi muito
Ou se nada pedi, nesta minha vida,
Saiba, senhor, que sempre me perdi
Na criança que fui, tão confundida.
À noite ouvia vozes e regressos.
A noite me falava sempre sempre
Do possível de fábulas. De fadas.
O mundo na varanda. Céu aberto.
Castanheiras douradas. Meu espanto
Diante das muitas falas, das risadas.
Eu era uma criança delirante.
Nem soube defender-me das palavras.
Nem soube dizer das aflições, da mágoa
De não saber dizer coisas amantes.
O que vivia em mim, sempre calava.
E não sou mais que a infância. Nem pretendo
Ser outra, comedida. Ah, se soubésseis!
Ter escolhido um mundo, este em que vivo,
Ter rituais e gestos e lembranças.
Viver secretamente. Em sigilo
Permanecer aquela, esquiva e dócil.
Querer deixar um testamento lírico
E escutar (apesar) entre as paredes
Um ruído inquietante de sorrisos
Uma boca de plumas, murmurante.
Nem sempre há de falar-vos um poeta.
E ainda que minha voz não seja ouvida
Um dentre vós, resguardará (por certo)
A criança que foi. Tão confundida.
QUE ESTE AMOR NÃO ME CEGUE ( Hilda Hilst ) in Cantares do Sem Nome e de Partidas (1995)
Que este amor não me cegue nem me siga.



















