21/08/2025

ME TOMA ( Sedutora )

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DESPIDA DE PUDORES ( Sedutora )

 Despida de pudores,

visto-me de fantasias.
Faço do teu corpo o meu refúgio,
a minha mais pura alegria.

Necessito te sentir em mim
dentro, fora, por cima, de lado,
de qualquer jeito.

Quero escalar teus cumes,
banhar-me em teu suor,
afogar-me na saliva de teus beijos,
sentir teu gosto,
saciar meu desejo.

Te quero meu homem.
Vem.
Me tome,
me sugue gostoso,
lambuze o meu corpo
com nossas seivas ,
sussurre no meu ouvido,
me arrepie,
me faça gemer de prazer,
me faça mulher
amada,
saciada,
despudorada!

I ( Hilda Hilst )

 Ai, que translúcido te fazes

         Que maravilha teus ares
         Ai, bem-querer de mim!
         Tu
         Nos teus palanquins do alto
         Olhando-me tão ferida
         Tão mula velha
         Tão carne de despedida
         Tão ossos
         Tão tudo que regozija
         Tua garganta de brisa!
         Vem. Engole-me inteira
         No teu exílio de esteiras!

20/08/2025

A BARCA DOS AMANTES ( Sérgio Godinho / Milton Nascimento )

 Ah, quanto eu queria navegar

Pra sempre a barca dos amantes
Onde o que eu sei deixei de ser
Onde ao que eu vou não ia dantes

Ah, quanto eu queria conseguir
Trazer a barca à madrugada
E desfraldar o pano branco
Na que for terra mais amada

E que em toda a parte o seu corpo
Seja o meu porta-estandarte
Plantado no céu mais fundo
Posso agitar-me no vento
E mostrar a cor ao mundo

Ah, quanto eu queria navegar
Pra sempre a barca dos amantes
Onde o que eu vi me fez vogar
De rumos meus, a cais errantes

Ah, quanto eu queria me espraiar
Fazer a trança à calmaria
Avistar terra e não saber
Se ainda o é quando for dia

E desfraldar o pano branco
Na que for terra mais amada

By Célia Moura

 Beija suavemente

minha púbis como se torneasses
o meu ventre na ponta do teu pincel.
Acaricia minhas pernas entreabertas
sussurra-me a tesão
que desesperadamente te invade.
Permite-me saborear
bem devagarinho
esta paixão
em tuas mãos avidamente percorrida
pelo meu vestido acima.
Não impeças o curso à nascente
que há-de desaguar êxtase
entre minhas pernas
até ao mar.
Bebamos de nós,
em nós, por nós
o elixir desta embriaguez
feito seiva, ou sangue
seja lá o que for!
Linguagem sublime de
nossos dois corpos em cópula,
elevação maior.

18/08/2025

AMOR HUMANO ( Maria Teresa Horta )

 Eu te procurarei 

por entre os astros 
do meu sobressalto
e tudo parecerá perdido 
à minha beira a querer iludir 
séculos de engano
ano após ano
Mas nada será mais belo 
que o nosso amor humano

EU SOU VERTICAL ( Sylvia Plath )

 Mas não que não quisesse ser horizontal.

Não sou árvore com minha raiz no solo
Sugando minerais e amor materno
Para a cada março refulgir em folha,
Nem sou a beleza de um canteiro
Colhendo meu quinhão de Ohs e me exibindo em cor,
Desconhecendo que me despetalo em breve.
Comparados a mim, uma árvore é imortal
E um pendão nada alto, embora mais assombroso,
O que eu quero é a longevidade de uma e a audácia do outro.

À luz infinitesimal das estrelas,
Flores e árvores trescalam seus frios perfumes.
Eu me movo entre elas, mas nenhuma me nota.
Chego a pensar que pareço o mais perfeitamente
Com elas quando estou dormindo —
Os pensamentos esmaecem.
É mais natural para mim deitar.
Céu e eu então animamos a prosa,
Hei de servir no dia em que deitar afinal:
E as árvores aí talvez em mim tocassem e as flores comigo se ocupassem.

A FELICIDADE É UM TÚNEL ( Ana Hatherly )

  o domínio

o erotismo do domínio
                      do domínio irrisório
                                                mas enorme

submeter
ver tremer
ver o tremor do outro

                     vencer
                                  o gelo
                                  o desdém
                                                   veloz

a felicidade é um túnel

Ana Hatherly, in "Um Calculador de Improbabilidades"

Ana Hatherly, in "Um Calculador de Improbabilidades"

 o calendário ardente dos teus dias

a lista das tuas agonias

como se atreve
como não ousa serenar
                              serenar-te

no ímpeto fugidio e secreto
                              o sorriso
a alva gravidade do estilo

PRÍNCIPE ( Ana Hatherly )

 Príncipe:

Era de noite quando eu bati à tua porta
e na escuridão da tua casa tu vieste abrir
e não me conheceste.
Era de noite
são mil e umas
as noites em que bato à tua porta
e tu vens abrir
e não me reconheces
porque eu jamais bato à tua porta.
Contudo
quando eu batia à tua porta
e tu vieste abrir
os teus olhos de repente
viram-me
pela primeira vez
como sempre de cada vez é a primeira
a derradeira
instância do momento de eu surgir
e tu veres-me.
Era de noite quando eu bati à tua porta
e tu vieste abrir
e viste-me
como um náufrago sussurrando qualquer coisa
que ninguém compreendeu.
Mas era de noite
e por isso
tu soubeste que era eu
e vieste abrir-te
na escuridão da tua casa.
Ah era de noite
e de súbito tudo era apenas
lábios pálpebras intumescências
cobrindo o corpo de flutuantes volteios
de palpitações trémulas adejando pelo rosto.
Beijava os teus olhos por dentro
beijava os teus olhos pensados
beijava-te pensando
e estendia a mão sobre o meu pensamento
corria para ti
minha praia jamais alcançada
impossibilidade desejada
de apenas poder pensar-te.

São mil e umas
as noites em que não bato à tua porta
e vens abrir-me

ELA VEM ( Ana Hatherly )

 Ela vem

quando eu cerro as pálpebras pesadas
e apoio a cabeça na escuridão do desejado sono.
Vem muito branca, muito lenta.
Fita-me calada
e muito direita
começa desatando seus cabelos negros.
Abre a boca num riso que eu não oiço
deixa cair o seu vestido todo.
E enquanto eu olho fascinada o seu ventre coroado de negro
seis homens pequeninos e muito encarquilhados
agarram suas seis tetas
e sugam-lhes os bicos
rosados e rijos de prazer.

ANA HATHERLY, in O PAVÃO NEGRO (Assírio & Alvim, 2003)

 O que é que leva o meu barco

para esta praia
onde um poder esquivo
se contenta
com a ambígua oferta de palavras?
Estamos aqui
no exíguo barco do desejo
exibidos
na frágil singularidade do verbo
Insatisfeitos sempre
aguardamos
que se abram
as impensáveis portas da ilusão

15/08/2025

EU ( Florbela Espanca )

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada  a dolorida 

Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!


Sou aquela que passa e ninguém vê
Sou a que chamam triste sem o ser
Sou a que chora sem saber porquê


Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!


13/08/2025

OS CEGOS DO CASTELO ( Nando Reis )

 Eu não quero mais mentir

Usar espinhos que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu
Dos cegos do castelo me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho, um lugar
Pro que eu sou

Eu não quero mais dormir
De olhos abertos me esquenta o sol
Eu não espero que um revólver venha explodir
Na minha testa se anunciou
A pé a fé devagar
Foge o destino do azar
Que restou

E se você puder me olhar
Se você quiser me achar
E se você trouxer o seu lar

Eu vou cuidar, eu cuidarei dele
Eu vou cuidar, ah! ah! ah! ah! ah!
Do seu jardim

Eu vou cuidar, eu cuidarei muito bem dele
Eu vou cuidar, ah! ah! ah! ah! ah! ah!
Eu cuidarei do seu jantar
Do céu e do mar
E de você e de mim





12/08/2025

MORRER DE PRAZER ( Cléia Mutti Fialho )

 Me penetra intenso e forte

com prazer imenso
e não se importe
se eu ranger ou gritar
vem amor
minha flor despelar
de maneira gostosa e safada
em teu corpo vou rebolar
deliciosamente molhada
eu não vou parar enquanto
não absorver todo o pranto
do seu falo ereto
meu objeto preferido
que dentro de mim erguido
se derrama deleitoso
num ápice total
e isto não é só sexual
esta forma doce e brutal
é morrer de prazer
é nascer e viver!

MELZINHO PARA URSO ( Cléia Mutti Fialho )

 O meu corpo aduz tentações

ao sentir a sua forte rigidez
nesta metamorfose de emoções
acolhendo-te com solidez
esbraseia minha centelha
liberando toda a essência
fecunda minha abelha
extraindo com solvência
das profundezas penetrantes
o néctar fluindo a cada curso
sabor de desejos adoçantes
tal qual melzinho para urso.

FENÔMENO RÍGIDO ( Cléia Mutti Fialho )

 O seu corpo é o altar dos meus desejos

neste trono de adoração
eu o consagro com beijos
quero sentir o aroma da sua excitação
subindo como queima de incenso
resina aromática extraída dos seus poros
inalando olência de querer intenso
fenômeno rígido... ascenso
que vai subindo
que vai crescendo
meus lábios vou salivando
provando de você
lambendo de cima para baixo
dessa forma eu encaixo
minha língua em seus sulcos
que escorre da minha boca pelos cantos 
seus doces recônditos que são tantos
como manga madura
mordo suavemente seu fruto suculento
apreciando a frescura à altura
do seu manjar sumarento
já não mais me aguento
sem controlar minha loucura
me perco nessa fissura
e sento ofegante em seu colo
conectados num só prazer
assim... eu te consolo
assim... me dou por vencer!

GOSTOSO EMBALO ( Cléia Mutti Fialho )

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GOZE PARA MIM AMOR ( Cléia Mutti Fialho )

 Entrego-me à paixão latente

lascívia quase demente
de prazer e intenso deleite
seu corpo causa-me fascínio
nele eu vou ao delírio
sorvendo o seu fluido
enlouquecendo com seu rugido
sussurro ao seu ouvido:
"goze para mim amor...
quero engolir o seu licor"

CÁLICE DE LUXÚRIAS (Cléia Mutti Fialho )

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MIRA IRA ( Lula Barbosa & Vanderley de Castro )

Mira num olhar

Um riacho, cacho de nuvem.

No azul do céu a rolar.

Mira Ira, raça tupi.

Matas, florestas, Brasil.

Mira vento, sopra continente,

nossa América servil.

Mira vento, sopra continente,

nossa América servil.

Mira num olhar,

Um riacho, cacho de nuvem.

No azul do céu a rolar.

Mira ouro, azul ao mar.

Fonte, forte de esperança.

Mira sol, canção, tempestade, ilusão.

Mira sol, canção, tempestade, Ilusão.

Mira num olhar,

verso frágil tecido em fuzil.

Mescla morena, canela,

cachaça, bela raça, Brasil.

Anana ira.

Mira ira, anana tupi.

Anana ira, anana ira.

Mira Ira.


MULHER ( Mônica Leite )

 eterna culpada

da sabedoria à ignorância
de tudo entende
se tu erras, compreende
Ela é verdade
Não se esconde, se assume
da família é a coluna e o pé direito
Ela é grande, imponente, impõe respeito
Sobre a culpa? Quem disse?
A maturidade depõe esse fantasma
Ela é substantivo, a mais forte das palavras.

Mulher, bendita seja.

UM PEDIDO ( Vanusa Percílio )

 Eu cansei de dormir sozinha, eu tenho medo.

Não quero mais aquela rotina chata que parece
Insistir em me amar pra sempre todos os dias de minha vida.
Eu quero ver desenhos nostálgicos com alguém que goste também,
Que possa rir com a inocência de uma criança.
Quero risadas sinceras e quero ouvir muitas musicas boas, comentar sobre elas,
Quero passar minhas mãos em seu corpo e me arrepiar,
Quero ouvir seu coração pulsar depois de me amar,
Quero dormir com a sua camiseta, ouvir sua respiração,
Quero acordar com vc me beijando,
Quem sabe um dia nesses beijos você se confunda e me chame de amor.

FUSÃO DE DOIS ( Thaís Fontenele )

 Nem todas as estrelas nascem no céu

nem todas os lábios movem-se
nem todas as histórias são ditas,
tu que cabes no meu peito
tu que vibra nos meus sonhos,
tu que se faz lar na ponta dos meus dedos
a sede, a catinga, o molhar,
a potência dos nossos corpos.

SELENE ( Gabriela Lages Veloso )

 Sou parte do universo,

Mas não estou à deriva.
Sou atraída por uma força maior do que eu,
Maior do que a vida,
Maior do que tudo. 

Sou feita de fases.
Metamorfose em curso.
Sou o reflexo da luz estrelar.
Espelho solar. 

Sou o silêncio da noite.
Um silêncio que pulsa e grita.
Um silêncio que controla as marés.
Silêncio, luz e sombra.