entre mim e ti
mentiras in_verdades
homem tira as mãos dos meus quadris
não vou permitir que teu abdômen se imponha
não te deites sobre mim
tirante a impureza da mente
o hímen permanecerá intato
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
entre mim e ti
mentiras in_verdades
homem tira as mãos dos meus quadris
não vou permitir que teu abdômen se imponha
não te deites sobre mim
tirante a impureza da mente
o hímen permanecerá intato
o amor me quis — entreguei-me
ofereci-me em bandeja
cheirou-me lambeu-me
partiu-me em mil pedaços
e sem usar guardanapo
comeu-me
deixou o resto às baratas
e ratos tiram proveito
na cabeça chapéu
sobre os ombros obrigações culpa medo
segredos no bolso entre as pernas
o pau duro
:
nos pés
sapatos e meias
na hora do amor
subir nas paredes
depois despencar
(não se arrepender
é tudo tão bom)
o inferno e o céu
são faces da mesma
moeda
Se eu pudesse havia de transformar as palavras em clava.
Não gosto do monoteísmo
nem da monogamia
Entre os vários deuses
é possível encontrar um benevolente
e entre os diversos amores
é possível encontrar um verdadeiro.
Fala-se de amor para falar de muitas coisas
Nada restou de ti
nasci flor — fazer o quê
era macia cheirosa
mas depois quando encorpei
a minha polpa rachou
despertou fome
e desejo
uns homens
os mais gulosos
sujaram a boca
e os bigodes
trago entre as pernas
este doce alçapão
aberto aos passarinhos
mas gosto mesmo
é de vê-los pousar

pelos dias índios
já não ando
menstruo
menstruar pela orla
nos dias terríveis
menstruar pelas ordens
onde já não ando
menstruo
com o bucho para fora da armadura
o volume mais língua que a distância
um bucho todos os buchos
por nomenclatura norte meu
norte
o bucho
e a despeito das delicatessens
o bucho
é pobre pobre o homem de bem
leva a piada na ponta do sexo
o galho mais distante da língua
homens
uns como mulheres
umas feito homens de bem
já não ando bem das bolas
gravo beijos nas ruas no passeio
me perdoe se sujo seus brancos
mas é que menstruar acomete sem querer
eu disse
por imposição apócrifa
sim
é o bucho que sangra
eita bucho
quereria parir uma cabra de três cabeças
mas sangra
menstruo
e já não ando
por imposição apócrifa
menstruo
como que embaraçada de todas as onças
de tudo que é índio
de tudo que é quando e monstro
com a pança para fora da armadura
cheia de novelas com pombos
a consolação do homem de bem
a comiseração do homem de bem
perseguidos
coitados são todos os homens de bem
é imperativo sangrar a pomba
disse o homem de bem
também eu
que já não ando bem
mas é que mensurar acomete de dedos e quebra o quando
eu disse
por liquidação
já não afio a régua
menstruo
uns dias turvos como o lado de fora
umas noites de meu bem
umas com passos menos
umas com laços anêmicos
umas feito os dias incultos
menstruar para sair e voltar
nos dias terríveis
menstruar pelos canais das sombras
para fora da armadilha
o bucho
o aparato mais índio que a distância
a distância feito minha pança
respira em quandos
eita bucho
e já não anda bem
meias arrastão levaram-me ao cais
marinheiros atracaram-se às minhas coxas
quando o navio zarpou voltei para casa
(frouxa)
Não me toque às cegas
Não me dispa logo
Não me morda os lóbulos
Não me amasse os seios
Não me afunde os dedos
Não me coma às pressas
Que eu não sou brinquedo
Me toque
Me dispa
Me morda
Me amasse
Me afunde
Me coma
Brincando comigo

pé de coelho
trevo-de-quatro-folhas
guiné arruda alecrim
comigo-ninguém-pode
ferradura atrás da porta
banho de sal grosso
espada-de-são-jorge
e nada de sorte
sufragete alcoviteira
a primeira na fila do talco
rendas & vidrilhos
dispostos na beira da banheira
estratagemas quais seriam?
um pé direito, sais de banho
a posição do corpo no espaço oval
e os dedos dedilhando em movimentos
de orquestra, allegro andante sem pausas
na pauta, lembrava o banho tcheco no bidê
levantou-se anestesiada, algum formigamento
nas partes baixas e notou algo quente
escorrendo entre as pernas com aparência
de leite derramado
sobre meus olhos, umidez.
sobre meu sexo, uma flor.
acredite, nos labirintos, umidez e uma flor.
[ancestral. negra, negra.
de ilha em ilha
projeto meu país
das maravilhas
tal Alice insandecida
(cortem-lhe a cabeça,
mas jamais
a imaginação
nem o clitóris)
na minha ilha
sou ninfa, sereia, Safo
entre um desabafo
e um pileque
um Sexta-feira
a meu serviço
náufraga
e sôfrega
na minha ilha
(lá mando eu
qual Odisseu
na sua história
entre uma dose
de rum ou gim
ai de mim!
até que eu goze
quero amanhãs que me devorem. enjoei de hojes sem teus beijos. coleciono ontens secos. os lábios rachados dos agoras sangram em bicas. o poema chora seu sinal. vermelho. rima que nunca cicatriza. mordo as horas que há bocas nos separam. sepultam os abraços. hojes de urnas contendo cinzas.
quero amanhãs de asfalto, pedágios, velocidade máxima. amanhãs de pressas e apreços. precisão de línguas lambendo fal[h]as e silêncios. a saliva das palavras selando cada sílaba do desejo.
amanhãs tenros para nos comermos. crus. com destempero. destemidos.
à luz dos próximos milhões de sóis.
amanhãs com chuvas que desprendam nosso cheiro pelas ruas das futuras luas que levarei no ventre.
gosto quando milena fala
Lá fora faz sol.