infinita invenção
de pétala a escaldar
desprende o falo
a palavra sublimada
que é ele a avançar-me
pelo corpo
a porta giratória
que me troca
pelo homem e, a este,
o fértil trajo
que lhe cria mais seios
pelo corpo
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
infinita invenção
de pétala a escaldar
desprende o falo
a palavra sublimada
que é ele a avançar-me
pelo corpo
a porta giratória
que me troca
pelo homem e, a este,
o fértil trajo
que lhe cria mais seios
pelo corpo
No pátio da igreja de São Sebastião,
os olhos do ódio são dourados
a língua víbora lasciva
é doce a cicuta oferecida pelo amante
sou um corpo que tomba entorpecido
o ventre arde como se amasse o veneno
o anjo descostura-se do céu quente
não mais seda, agora apenas víscera
doença que despenca
olhos estéreis contemplam
o início da aflição
pequena flama nascente
entre as pernas
sob a luz áspera da manhã
fabrico esta morte
um lépido toque de mãos
e os pelos pubianos cintilam
dentro, um grito rubro se agita
violência rasgando o veludo
agora se esvai de mim
terrível lótus sanguínea
pequenino corpo que se tornou rio
gatinha, esperei noites e dias
sua resposta ao meu bilhete bem coerente,
deixado na sua janela ao relento:
"gostosa gatinha, ganhe a glória de um gozo
com um garboso galo, galante gentil e generoso,
sou o Germano, de galho grosso e grande,
guardo na gaveta toda a gama de gritos e gemidos,
garanto derreter o gelo do seu grelo"
e sua resposta, um recado gritado:
"venha a galope, gaste sua glande
na minha gulosa garganta,
se és guerreiro ganhe a guerra do G grande".
o diabo faz cócegas em meus pés
enquanto abro as pernas
e deus alisa meus cabelos
enquanto grito ao teu ouvido
A solidão,
aquele que me ama deita os olhos em mim
sabe que tudo é brevidade, agoratudo é rastroaquele que me ama sabe que na mulher amada dói umacidade invisívelsabe também que, para torná-la visível, é precisoacessar essa mulher à pouca luz -enquanto ainda se confundem um no outro
Teria escrito mil vezes teu nome na areia,
a pomba no beiral do telhado
Tamar é só mais uma daquelas que precisam dormir
Com um olho aberto e o outro fechadoCaso ouça os passos do paiCaso o padrasto vá beber um copo d’águaCaso o tio venha fazer uma visitaCaso o primo a convide para brincarCaso um amigo da família venha jantar em casaCaso o irmão lhe apareça na porta do quartoÉ só mais uma que precisa temerAndar na ruaEntrar em um banheiro públicoSentar-se para uma entrevistaVestir uma roupa que gosteTomar uma bebida na festaDizer não para o maridoFicar enferma em maca de hospitalTamar é mais uma e mais uma e mais umaQue se multiplica na velocidadeDe um filme irreversívelComo se fosse uma questão de vestuárioComo se fosse irrefreável resistir a TamarComo se houvesse desejo por elaQuando o que há é a sensação poderosa
Dizem que odeio João Batista
E suas intromissões na vida alheiaQue odeio João BatistaE suas intromissões na minha vidaQue odeio João BatistaCom seu deus me ditando regrasJoão Batista doutrinando o povoDistribuindo a palavra pecadoJoão Batista pastor, entendendo queTodos são suas ovelhasDizem até que amo João BatistaQue meu marido ama João BatistaQue tentei seduzir João BatistaQue minha filha seduziu meu maridoQue a manipulei para pedir a cabeçaDe João BatistaQuem tem boca diz o que querDigo que odeio João BatistaTentando transformar seu deus
A brisa e a luz cantarão nos teus cabelos.
São 12 pancadas, 12 badaladas
Eu vejo esses peixes e vou de coração
Quando, dentro de um templo, a corola de prata
Possa eu, da phrase nos absonos sons,
Eu e tu, ante a noute e o amplo desdobramento
I
Cabe a supremacia á rosa, entre o complexo
No torculo da fôrma o alvo crystal do Sonho,
Sempre-viva, teu nome exprime quanto vales,
Filhos meus — duas forças bem pequenas
De onde vem esta voz, este fundo lamento
Apraz-me sempre ouvir, ás horas vespertinas,
Olhos da triste côr dos ambientes mortuarios,