19/10/2025

PELO CORPO ( Luiza Neto Jorge )

 infinita invenção

de pétala a escaldar

desprende o falo

 

a palavra sublimada

que é ele a avançar-me

pelo corpo

 

a porta giratória

que me troca

pelo homem e, a este,

 

o fértil trajo

que lhe cria mais seios

pelo corpo

INSTANTÂNEO ( Mauro Mota )

 No pátio da igreja de São Sebastião,

depois da missa cantada e da comunhão,
Dona Santinha, em perfeito estado de graça,
com o véu, o livro e o terço na mão,
murmurava a um grupinho que Padre João
estava, na sacristia, se derretendo
para a filha mais nova do sacristão.

DESTRUIÇÃO ( Anna Apolinário )

 os olhos do ódio são dourados

a língua víbora lasciva

é doce a cicuta oferecida pelo amante

sou um corpo que tomba entorpecido

o ventre arde como se amasse o veneno

 

o anjo descostura-se do céu quente

não mais seda, agora apenas víscera

doença que despenca

olhos estéreis contemplam

o início da aflição

pequena flama nascente

entre as pernas

sob a luz áspera da manhã

fabrico esta morte

 

um lépido toque de mãos

e os pelos pubianos cintilam

dentro, um grito rubro se agita

violência rasgando o veludo

agora se esvai de mim

terrível lótus sanguínea

pequenino corpo que se tornou rio

18/10/2025

GUERRA É GUERRA ( Dominique Lotte )

gatinha, esperei noites e dias

sua resposta ao meu bilhete bem coerente,

deixado na sua janela ao relento:

"gostosa gatinha, ganhe a glória de um gozo

com um garboso galo, galante gentil e generoso,

sou o Germano, de galho grosso e grande,

guardo na gaveta toda a gama de gritos e gemidos,

garanto derreter o gelo do seu grelo"

e sua resposta, um recado gritado:

"venha a galope, gaste sua glande

na minha gulosa garganta,

se és guerreiro ganhe a guerra do G grande". 

PRAZER ( Cida Pedrosa )

 o diabo faz cócegas em meus pés

enquanto abro as pernas

 

e deus alisa meus cabelos

enquanto grito ao teu ouvido


  

 

KELLE ( Cida Pedrosa )

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DARKNESS ( Micheliny Verunschk )

 A solidão,

essa tempestade,
esse gozo às avessas,
esse jeito de eternidade
que as coisas adquirem
mesmo sendo apenas vidro.
Essas cartas ardendo
no estômago das gavetas,
essas plumas
que surgem quando se apagam
as últimas luzes do dia.
Tudo faz a noite mais longa,
visão de uma sombra
sobre um berço.
Não há resposta
e o labirinto é o falso,
os lábios são falsos,
somente abismo,
absinto verdadeiro.
O sono,
grande placa de cerâmica,
e o tempo,
demônio a ranger sobre o infinito.

AQUELE QUE ME AMA ( Mar Becker ) in Noite Devorada; Círculo de Poemas, São Paulo, 2025.

 aquele que me ama deita os olhos em mim

sabe que tudo é brevidade, agora
tudo é rastro

aquele que me ama sabe que na mulher amada dói uma
cidade invisível
sabe também que, para torná-la visível, é preciso
acessar essa mulher à pouca luz -
enquanto ainda se confundem um no outro
ruína e sonho

CORAÇÃO DE AREIA ( Ana Cecília de Sousa Bastos ) in Contemplação do Mar, Confraria do Vento, Rio de Janeiro, 2022

 Teria escrito mil vezes teu nome na areia,

não fosse teu nome matéria em que meu coração se dissolve.
Mistério infinito do mar-espelho.

Amar é espelho do infinito.
Amar é mistério de areia.

Areia é matéria fluida, efêmera.
Areia é minério talvez eterno.

Este grão que penso reter nas mãos
amanhã mesmo o oceano levará.
Nunca saberei de que silício ou cecília
é feito.

Não saberei onde se quedará meu coração de areia:
em doces praias ou voragens,
rochas ou abismos.

Abismo sou agora, sem nome e sem pouso
E a matéria areia, fugaz e eterna,
dolorida e bela,
me consome.

LAGO DAS POMBAS ( Ruy Proença )

 a pomba no beiral do telhado

da escola de balé Cisne Negro
empresta meus olhos

com ar zen
contempla a Zona 1 arborizada
e os prédios ao fundo
iluminados pelo sol do fim de tarde

ouvirá Tchaikovsky no andar de baixo?

saberá que ali no quarto andar da escola
adolescentes fazem do corpo asas
para um dia quase voar como ela?

jovens, cuidado,
não se aventurem
além do quase

OS DESTROÇOS DE TAMAR ( Adriane Garcia ) in A Bandeja de Salomé, Caos & Letras, 2022.

 Tamar é só mais uma daquelas que precisam dormir

Com um olho aberto e o outro fechado
Caso ouça os passos do pai
Caso o padrasto vá beber um copo d’água
Caso o tio venha fazer uma visita
Caso o primo a convide para brincar
Caso um amigo da família venha jantar em casa
Caso o irmão lhe apareça na porta do quarto

É só mais uma que precisa temer
Andar na rua
Entrar em um banheiro público
Sentar-se para uma entrevista
Vestir uma roupa que goste
Tomar uma bebida na festa
Dizer não para o marido
Ficar enferma em maca de hospital

Tamar é mais uma e mais uma e mais uma
Que se multiplica na velocidade
De um filme irreversível
Como se fosse uma questão de vestuário
Como se fosse irrefreável resistir a Tamar
Como se houvesse desejo por ela
Quando o que há é a sensação poderosa
De destroçar uma fronteira.

O ÓDIO DE HERODIAS ( Adriane Garcia ) in A Bandeja de Salomé, Caos & Letras, 2022.

 Dizem que odeio João Batista

E suas intromissões na vida alheia
Que odeio João Batista
E suas intromissões na minha vida
Que odeio João Batista
Com seu deus me ditando regras
João Batista doutrinando o povo
Distribuindo a palavra pecado
João Batista pastor, entendendo que
Todos são suas ovelhas

Dizem até que amo João Batista
Que meu marido ama João Batista
Que tentei seduzir João Batista
Que minha filha seduziu meu marido
Que a manipulei para pedir a cabeça
De João Batista

Quem tem boca diz o que quer
Digo que odeio João Batista
Tentando transformar seu deus
Em Estado.

MULHER ( Hindemburgo Dobal )

 A brisa e a luz cantarão nos teus cabelos.

A luz que acende a cor:
a saudade no sol nas dunas do teu corpo.
A brisa sobre as águas: o fogo no sangue,
os árdegos cavalos que a manhã dispara.
A tarde do fauno:
a doçura da pele sob o tremor dos dedos.
À noite a luz crescente
sonha o amor nas tuas areias.

16/10/2025

MENINAS DA CIDADE ( Fátima Guedes )

 São 12 pancadas, 12 badaladas

Sol a pino, a telha vã
Esquenta o pó da minha casa
Esquenta a bilha d'água
De tanto que fervem na minha mão
Agulha e pano
Armas de todo dia
Na minha mão
Tesouro e fé e pé
Na mesma tábua em falso
Destino e pé descalço
Desde manhã sentada e presa aqui
Rasgando as sedas das rainhas
Os brancos das donzelas
Que no escuro da cidade alguém há de despir
Ninguém verá tão belas
Filhas da falsidade
A vila é tão pequena e infeliz sem elas que...
Que são doze pancadas,
são doze ruelas
Que desgraçadamente sempre vão dar
Numa mesma praça seca, de noite suspirada,
De noite tão imensamente farta das paixões do dia.
De noite suficientemente larga pras bandalharias.

Meninas que se vêem chegando aqui:
cinturas ainda finas;
medir felicidade.
No rosto a marca dos batons
das senhoras de bem, as damas da cidade.
No peito arfante
O roxo das mordidas mais ferozes
Filhos da mesma terra,
andantes e viajores,
rapazes e senhores de mais realidade.

São doze pancadas, já são doze dadas.
A lua a pino,
e eu já sei que vou entrar na madrugada
rematando bainhas,
pregando rendas que amanhã vai ser o baile das rainhas.
Amanhã já se sabe que elas vão fazer a história da cidade.
São muito cinderelas.

MILAGRE DOS PEIXES ( Fernando Brant / Milton Nascimento )

 Eu vejo esses peixes e vou de coração

Eu vejo essas matas e vou de coração à natureza
Telas falam colorido de crianças coloridas
De um gênio televisor
E no andor de nossos novos santos
O sinal de velhos tempos
Morte, morte, morte ao amor
Eles não falam do mar e dos peixes
Nem deixam ver a moça, pura canção
Nem ver nascer a flor, nem ver nascer o Sol
E eu apenas sou um a mais, um a mais
A falar dessa dor, a nossa dor
Desenhando nessas pedras
Tenho em mim todas as cores
Quando falo coisas reais
E no silêncio dessa natureza
Eu que amo meus amigos
Livre, quero poder dizer
Eu tenho esses peixes e dou de coração
Eu tenho essas matas e dou de coração

14/10/2025

INCENSO ( Gilka Machado )"Cristais Partidos", "Poesias Completas".1915 (A Olavo Bilac)

 Quando, dentro de um templo, a corola de prata

do turíbulo oscila e todo o ambiente incensa,
fica pairando no ar, intangível e densa,
uma escada espiral que aos poucos se desata.

Enquanto bamboleia essa escada e suspensa
paira, uma ânsia de céus o meu ser arrebata,
e por ela a subir numa fuga insensata,
vai minha alma ganhando o rumo azul da crença.

O turíbulo é uma ave a esvoaçar, quando em quando
arde o incenso ... Um rumor ondula, no ar se espalma,
sinto no meu olfato asas brancas roçando.

E, sempre que de um templo o largo umbral transponho,
logo o incenso me enleva e transporta minha alma
à presença de Deus na atmosfera do sonho.

POSSA EU, DA PHRASE NOS ABSONOS SONS (Gilka Machado) "Estados da Alma: poesias". Revista dos Tribunaes, 1917.

 Possa eu, da phrase nos absonos sons,

em versos minuciosos ou succintos,
expressar-me, dizer dos meus instinctos,
sejam elles, embora, máos ou bons.

Quero me vêr no verso, intimamente,
em sensações de gôso ou de pezar,
pois, occultar aqui’lo que se sente,
é o proprio sentimento condemnar.

Que do meu sonho o bronco véo se esgarce
e mostre núa, totalmente núa,
na plena graça da simpleza sua,
minha Emoção, sem peias, sem disfarce.

Quero a arte livre em sua contextura,
que na arte, embora peccadora, a Idéa,
deve julgada ser como Phrinéa:
- na pureza triumphal da formosura.

Gelar minha alma de paixões accêsa
porque? si desta forma ao Mundo vim;
si adoro filialmente a Natureza
e a Natureza é que me fez assim.

Meu ser interno, tumultuoso, vario,
- máo grado o parvo olhar profanador –
no livro exponho como num mostruario:
sempre a verdade é digna de louvor.

Fiquem no verso, pois, eternamente,
as minhas sensações gravadas, vivas,
nas longas crises, nas alternativas
desta minha alma doente.

Relatando o pezar, relatando o prazer,
través a agitação, través a calma,
a estrophe deve tão somente ser
o diagnostico da alma.
(ortografia original)

SYMBOLOS ( Gilka Machado ) in "Estados da Alma: poesias". Revista dos Tribunaes, 1917. (ortografia original)

 Eu e tu, ante a noute e o amplo desdobramento

do mar fero, a, estourar de encontro á rocha nua.
Um symbolo descubro aqui, neste momento;
esta rocha e este mar... a minha vide e a tua.

O mar vem o mar vae.... nelle ha o gesto violento
de quem maltrata e, após, se arrepende e recúa.
Como eu comprehendo bem da rocha o sentimento!
são bem eguaes, por certo, a minha magua, e a sua!

Symbolisa este quadro a nossa propria vida:
tu és esse mar bravio, inconstante e inclemente,
com carinhos de amante e furias de demente;

eu sou a dôr parada, a dôr empedernida,
eu sou aquella rocha encravada na areia,
alheia ao mar que a punge, ao mar que a afaga alheia.

ROSAS ( Gilka Machado ) no livro "Crystaes Partidos: poesias". Revista dos Tribunaes, 1915. (ortografia original)

I

Cabe a supremacia á rosa, entre o complexo

das flôres, pelo viço e pela pompa sua,
e o arôma que ella traz sempre á corolla annexo
o coração humano excita, enleva, estua.

Quando essa flôr se ostenta á luz tibia da Lua,
o luar busca enlaçal-a, amoroso, perplexo,
e ella sonha, estremece, oscilla, ri, fluctua
e desmaia, ao sentir esse etheral amplexo.

Si é rosea lembra carne ardente, palpitante...
nívea – lembra pureza e nada ha que a supplante,
rubra – de certa bocca os labios nella vejo.

Seja qualquer a côr, por sobre o hastil de cada
rosa, vive a Mulher, nos jardins flôr tornada:
- symbolo da Volupia a excitar o Desejo.
II
Rosas cujo perfume, em noutes enluaradas,
é um sortilegio ethereo a transpôr as rechans;
rosas que á noute sois risonhas, floreas fadas,
de cutis de velludo e tenras carnes sans.

Sejaes da côr do luar ou côr das alvoradas,
rosas, sois no perfume e na alegria irmans,
e todas pareceis, á luz desabotoadas,
a concretisação dos risos das Manhans!

Ó rosas de carmim! Ó rosas roseas e alvas!
ha nesse vosso odôr toda a maciez das malvas,
a púbere maciez do pêcego em sazão.

Dae que eu possa gosar, ao vosso collo rente,
esse perfume, a um tempo excitante e emolliente,
numa dubia, sensual e suave sensação!

Gilka Machado, no livro "Crystaes Partidos: poesias". Revista dos Tribunaes, 1915. (ortografia original)

 No torculo da fôrma o alvo crystal do Sonho,

Musa, vamos polir, num labor singular:
os versos que compões, os versos que componho,
virão estrophes de ouro após emmoldurar.

Para sempre abandona esse teu ar bisonho,
esse teu taciturno, esse teu simples ar;
pois toda a perfeição que dispões e disponho,
nesta artística empreza, é mister empregar.

Seja espelho o crystal e, em seu todo, reflicta
a trágica feição que o horror comsigo traz,
e o infinito esplendor da belleza infinita.

E, quando a rima soar, enlevada ouvirás
percutir no teu ser, que pela Arte palpita,
o sonoro rumor do choque dos crystaes.

SEMPRE-VIVA ( Gilka Machado )no livro "Crystaes Partidos: poesias". Revista dos Tribunaes, 1915. (ortografia original)

 Sempre-viva, teu nome exprime quanto vales,

e, embora te não desse aroma a Natureza,
quem, como eu, padecer o maior dentre os males,
por força ha de exalçar-te a original belleza.

Quer abroches num horto ou na campa assignales
uma grata lembrança, eternamente accesa,
vive essa chamma de ouro inserida em teu calix,
como um sol que a surgir illumine a deveza.

Exposta ao sopro rijo e inclemente do Vento,
aos queimores que o Sol impiedoso te lança,
não te rouba a tortura o fulgor opulento.

És como esta paixão (minha paixão estulta!),
que o túmulo a enfeitar de uma extincta Esperança,
aos rigores da Sorte esplende, viça, avulta!

HELIOS E HEROS ( Gilka Machado )no livro "Estados da Alma: poesias". Revista dos Tribunaes, 1917. (ortografia original)

 Filhos meus — duas forças bem pequenas

que amo, e das quaes sustar quizera o adejo;
pequenas sempre fora meu desejo
tel-as, aconchegadas e serenas.

Filhos meus — delles vem, delles, apenas,
a humilhação servil em que me vejo;
mas, si o penar a um filho é bemfazejo,
para uma alma de mãe que valem penas ?

Eu, que feliz, toda enthusiasmo, d'antes,
via os seres tornarem-se possantes,
vejo-os crescerem com pezar, com zelos.

Vejo-os crescerem, ensaiarem threnos,
e, no emtanto, quizera-os tão pequenos
que pudesse nas mãos sempre trazel-os.

ODOR DOS MANACÁS (Gilka Machado)(A J. M. Goulart de Andrade)

 De onde vem esta voz, este fundo lamento

com vagas vibrações de violino em surdina?
De onde vem,esta voz que, nas azas, o Vento
me traz, na hora violacea em que o dia declina?

Esta voz vegetal, que o meu olfacto attento
ouve, certo é a expansão de uma magua ferina,
é o odor que os manacás soltam, num desalento,
sempre que a brisa os plange e as frondes lhes inclina.

Creio, aspirando-o, ouvir, numa metempsychose,
a alma errante e infeliz de uma extincta creatura
chamar anciosamente outra alma que a despose.

Uma alma que viveu sosinha e incomprehendida,
mas que, mesmo gosando uma vida mais pura,
inda chora a illusão frustrada noutra vida.
No livro"Crystaes Partidos: Poesias". Revista dos Tribunaes, 1915. (ortografia original)

NOTURNO I ( Gilka Machado )no livro "Crystaes Partidos: Poesias". Revista dos Tribunaes, 1915. (ortografia original)

 Apraz-me sempre ouvir, ás horas vespertinas,

os prelúdios da Noute, os iriantes rumores
que, mal rolam da sombra as primeiras cortinas,
fazem soar pelo espaço os Arrebóes, as Cores.

Ha na violacea cor violinos em surdinas,
vibram no ouro clarins ruidosos e aggressores,
gemem flautas no verde, em notas tiples, finas,
rufam dentro do rubro invisíveis tambores.

Soam na rosea côr accordes flebeis de harpas,
través o alaranjado ha guitarras chilrando,
e os sons rolando vão nas ethereas escarpas.

Ha uma breve fermata e, após, exul, tristonho,
soluça um orgam do alto, em som pauzado, brando,
dentro do azul do céo, como um sonoro sonho.

OLHOS PÉRFIDOS ( Gilka Machado ) in "Crystaes Partidos: poesias". Revista dos Tribunaes, 1915. (ortografia original)

 Olhos da triste côr dos ambientes mortuarios,

onde paira uma luz de cirio a tremular;
eu um dia suppuz que fosseis dous alvearios,
porque havia um sabor de mel no vosso olhar.

Como no espelho arcoal de pútridos aquários
á noute se reflecte o fulgor estellar,
a vossa podridão, olhos fataes e vários,
vem, ás vezes, um lume estranho illuminar.

Vejo, si em vosso todo acaso o olhar afundo,
que, em vós, como no horror de um lodaçal immundo,
geram-se occultamente os micróbios de um mal.

£ eu, que buscava abrigo á alma desilludida,
toda me untei de lodo, infeccionando a vida,
ao contagio da vossa emanação lethal!