Teu beijo é tanto
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
01/02/2026
LÍQUIDO ( Flora Figueiredo ) in "Calçada de Verão". Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989.
JÁ ( Flora Figueiredo ) in "Florescência". Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987
Segure o beijo antes que acabe,
INDOMÁVEL ( Flora Figueiredo ) in "Chão de Vento". São Paulo: Geração Editorial, 2006.
Sem água morna,
DUPLICIDADE ( Flora Figueiredo ) in "Chão de Vento". São Paulo: Geração Editorial, 2006.
Eu te pressinto
CONSELHO ( Flora Figueiredo) in "O Trem Que Traz a Noite". Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000.
Nunca chore um insucesso.
Por Jorge de Sena
Que coisas se fariam - tão de seios
Por Jorge de Sena
-Meu corpo, que mais receias?
Por Jorge de Sena
A desenhada imagem como forma que
QUANTOS NA VIDA ( Jorge de Sena )
Quantos na vida corpos conheci?
VARIAÇÃO PRIMEIRA (Jorge de Sena ) in Variações Sobre Um Corpo, editora Inova,1973.
Ao sol ardente, ao mar azul, ao vento que
31/01/2026
OS SEIOS DA MULHER ( Lucas Munhoz )
Morde-lhe os bicos à donzela sem dor.
O CIRCO MÍSTICO ( Edu Lobo & Chico Buarque de Holanda )
Não, não sei se é um truque banal
MUDEZ ( Amanda Ionara Farias de Oliveira - Amanda Simpatia )
Desnude seus pensamentos
O corpo que me pertence
Ou eu pertenço a um corpo
Baby?
Qual pecado fatal te mostra meus seios?
Qual banalidade teus olhos reparam?
Caso eu tenha cometido algum mal
Baby, ouça um jazz.
Ligue o blues
E vamos viajar
No imenso azul do céu.
As estrelas reparam em nós
Mas nós tampouco damos valor a ela.
Que valor as estrelas têm, baby?
O universo é tão fatídico assim…
Não pode isso,
Faça aquilo.
Qual é o fim, baby?
MARCO TEMPORAL NÃO! ( Mariana Cambirimba )
(de)marcadas estão as marcas do tempo
nas rugas dos meus pais.
do solo quente e seco
também ficaram sinais.
pés rachados,
como a terra violada da ka’atinga:
por bois,
por balas,
por botas.
hoje a gente anda no asfalto
concreto acima de nossas cabeças,
mas quando voltamos para casa
meus pais abraçam árvores,
olham para o céu
e são amigos das palmeiras.
toda vez que leio um livro de história
ou vejo a beleza das gravuras rupestres no Poty
eu sinto:
dói tudo, nos tiraram tanto…
então, vamos gritar
andar em marcha
acolher sementes
e escutar raízes.
queremos demarcação,
MARCO TEMPORAL NÃO!
crianças brincando no rio e no oceano,
MARCO TEMPORAL NÃO!
passarinhos voando livres
MARCO TEMPORAL NÃO!
chuvas todo ano
MARCO TEMPORAL NÃO!
tocar nossos pés no chão
MARCO TEMPORAL NÃO!
vocês realmente não sabem o que fazem.
perderam completamente a compostura,
esqueceram o que é ancestral:
a Terra.
TRABALHO ANCESTRAL ( Panhonka. Aline Ngrenhtabare Lopes Kayapó )
A misericórdia que me alcançou
Não foi a mesma que me espoliou
Menos ainda, a que a igreja me ensinou.
Essa, me amedrontou
Me desterritorializou
Me violentou!
Mesmo assim eu Vinguei!
Porque sou semente.
A Wayra me polinizou,
Em terra arada pela força da tempestade,
aquecida pelos raios do grande Kûaracy,
E do útero da majestosa Tupãna Kunhã, brotei.
Entre raízes, cresci
Delas, muito alimento recebi e me fortaleci.
Essa confluência de forças me fizeram Território.
O mesmo que clama desde os confins da Terra, por justiça!
Se você deseja curiosamente sentir o sabor que tem
O fruto do Trabalho Coletivo Ancestral,
Plante
Regue
Colha
e tenha coragem para comer!
E tu verás,
O quão trabalhoso é deixá-lo assim…
Naturalmente suculento e desejável
Ao ponto de dar vida e morte, até a quem não mereça!
CUIEIRA ( Panhonka. Aline Ngrenhtabare Lopes Kayapó )
Nossa mãe
Poder gerador da vida
Útero divino
Minha mãe
Majestosa Mãe Terra
Que nos ensina sobre aparências…
Muitas vezes enganosas
De fel ,vira mel
Curandeira sagrada….
O que não tem serventia, faz ter
Do enfeite traz a cura
Do miolo traz o sumo
E o sumo que é fel
Sem água
vira mel
Mel que cura.
Miolo misterioso
O fogo transforma
De branco amargoso
Em preto saboroso.
Manchas não pode ter
A cura não tem máculas
Três Luas é o tempo
Que precisa
O útero da filha
Para a mãe curar…
Louvado seja, Metindjwynh!
Mejkumrex minha Mãe Terra!
A VISÃO ( Panhonka. Aline Ngrenhtabare Lopes Kayapó )
Para onde iremos depois da nuvem cinza
Nós sabemos bem…
Para onde iremos depois de todo sangue derramado
Nós sabemos bem…
Para onde iremos com nossos corpos violados
Nossos pés, patas, peles, penas, couros e cascos em chamas
Nós sabemos bem
Para onde iremos sem as árvores rios e animais
Nós sabemos bem…
E tu?
Para onde irás quando te faltares o essencial que tu mesmo destruístes?
Tu não sabes?
Nós sabemos bem, e isso nos apavora!
ÁRVORE NUA ( Anne Morrow Lindbergh ) in O Unicórnio e Outros Poemas
Despiram-me das folhas de minha juventude,
OLHANDO O MAR, SONHO SEM TER DE QUÊ ( Fernando Pessoa )
Olhando o mar, sonho sem ter de quê.
Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
Mas de se nada ver quanto a alma sonha!
De que me servem a verdade e a fé?
Ver claro! Quantos, que fatais erramos,
Em ruas ou em estradas ou sob ramos,
Temos esta certeza e sempre e em tudo
Sonhamos e sonhamos e sonhamos.
As árvores longínquas da floresta
Parecem, por longínquas, estar em festa.
Quanto acontece porque se não vê!
Mas do que há ou não há o mesmo resta.
Se tive amores? Já não sei se os tive.
Quem ontem fui já hoje em mim não vive.
Bebe, que tudo é líquido e embriaga,
E a vida morre enquanto o ser revive.
Colhes rosas? Que colhes, se hão-de ser
Motivos coloridos de morrer?
Mas colhe rosas. Porque não colhê-las
Se te agrada e tudo é deixar de o haver?
MULHER CORRENTEZA ( Lidiane Adjú Kariú )
Tu és água da fonte
É Segredo contido
É água de rios fundos.
Tu és água corrente
É a pedra do caminho
É a cantoria de teu encanto
É o encontro de tudo.
Tu és a correnteza da água
É o ventre fecundo
É a sacies do mundo.
Tu és a corredeira do rio
É o movimento da vida
É o desejo profundo.
Tu és água de remanso
É braço de descanso,
É o canto.










