Linda concha que passava,
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
25/07/2025
A CONCHA E A VIRGEM ( Antônio Gonçalves Dias )
24/07/2025
FICA COMIGO ( Eduarda Chiote )
Mãe,
23/07/2025
Alexandra Santos, in Palavras Sussurradas, Chiado Editora, 2014
Passeio as mãos pelo teu corpo e sinto-te
ENTRE A SALIVA E OS SONHOS ( Alice Vieira )
entre a saliva e os sonhos há sempre
PROFUNDO AZUL DA NOITE ( Ana Oliveira )
O azul que me veste as mãos por dentro
é ainda o profundo azul da noite
em que bebi no sal da tua pele
o branco aceso do meu corpo
e o silêncio da aragem miúda
que antes da chegada do vento
te havia de romper os olhos
em lágrimas de espanto e sede
pela sombra dos meus dedos.
ANJOS CAÍDOS ( Ana Luísa Amaral )
Neste palco de sol,
HÁ TARDES ( Carla Pais )
Há tardes assim. Uma ou outra tarde em que
ANSEIO - TE ( Lília Tavares )
Anseio-te pelas palavras roucas e cortadas, pois deixei
LIVRO ABERTO ( Carlos Campos )
Quero que tenhas muitas páginas
E versos difíceis de entender
Quero que me digas onde vais
E que nada fique por dizer.
Sei que não há lugares eternos.
Esta cadeira tem horas,
Há ficar e partir.
Há um entardecer
Para os vagares e demoras.
Até pode chover.
Abre e diz-me a teu jeito
Essa página, e outra, e outra,
Mas não, não me toques ainda.
Assim aberto
Fica
Perto
Mas não me toques ainda.
Deixa-me ler até ao fim.
Com os olhos, com o peito
Antes que o vento
Vire a página da decisão.
Quero ser eu
A tocar essas páginas
Que vou ler e anotar.
Mas por agora, quero ler-te
Só ler-te.
Quero amar-te devagar.
21/07/2025
A FELINA E O SEU PÊLO ( András Petőcz )
O poeta sofre. Diz-se
que é o quinhão do poeta.
A causa do seu sofrimento é naturalmente a felina.
A felina negra é com efeito hostil contra o poeta.
Hostil e glacial.
A felina está estendida sobre um divã
pára, em frente ao poeta,
lambendo o seu pêlo com voluptuosidade.
O poeta sofre. Ele gostaria de tocar
o pêlo brilhante, doce e atraente da felina.
A lambidela do pêlo prossegue com indecência.
A felina mostra-se de maneira provocante, depois
salta subitamente sobre a coxa do poeta.
O poeta não sabe como prendê-la.
Ele não ousa tocar o pêlo provocante
da felina, tomado pelo medo de uma recusa.
O poeta não faz senão sofrer. Diz-se
que é o quinhão dos poetas.
A felina negra olha para o poeta com um ar malicioso, depois
ela salta da coxa do poeta, e corre
para longe: mesmo para o fim da sala.
Assim vivem eles, os nossos amigos, o poeta e a felina,
numa parte do mundo afastada, num planeta afastado,
num castigo eterno, na tristeza eterna.
Porque o poeta sofre. Diz-se
que é o quinhão dos poetas.
(Tradução para português: Maria João Cantinho)
18/07/2025
INSÔNIA ( Iara Maria Carvalho ) in Milagreira, Casarão de Poesia, Currais Novos - RN, 2011
Tem um poema de tez escura
MACIEIRA ( Ana Santos )
Amanheci arbórea,
COMUNHÃO ( Ilka Brunhilde Laurito )
Já que me sinto muito digna
FUSÃO ( Astrid Cabral )
Não te quero
ESFINGE ( Florbela Espanca )
Sou filha da charneca erma e selvagem.
17/07/2025
NEREIDAS ( Viviane Ka )
Lá embaixo,
na cidade que pisca,
nereidas de cabelos dourados
não têm o livro,
mas têm o canto
para fundar uma igreja,
seja no mar,
seja no bar.
PUTA SAGRADA ( Mariana Guimarães )
Meu grito é verso,
Na poesia é onde floresço,
Minha voz pode ser doce,
Mas é fina, precisa, às vezes corta, e até sangra…
Meu sangue é o líquido que escorre e faz nascer, faz brotar.
Sou louca, destemida e cabulosa
Minha liberdade é uma reza!
16/07/2025
by Célia Moura
Porque de vez em quando
FIM DE TARDE ( Carlos Campos )

Aí a contemplar o movimento das ondas
ficas longamente
à espera do voo da última gaivota
do derradeiro raio de sol
como se o mar te chamasse
repetindo o teu nome no início da maré baixa
De pé, o teu corpo quieto
como um recorte, plasmado na praia
como uma antecipação da noite
como se a noite fosse tua
Quero chamar-te para te ver
e descubro que quem és tu quem me chama
e descubro que a noite só tarda
porque espera o nosso encontro
para anoitecer
É tão longa esta praia
tão longos os passos no areal até à água
nunca mais é tempo
nunca mais é tarde
e a tarde não anoitece…
Caminho para ti, passo a passo mais perto
do horizonte na linha dos teus ombros
onde o sol se põe
iluminando ainda a urgência do meu trilho
É de paz esta vontade de caminhar
para ti, à espera na linha do mar
aí, a contemplar o movimento das ondas
ENTARDECER ( Carlos Campos )

Sobram dias, faltam noites
Para que a tua voz me detenha
E a tua pele me acenda.
Sobram dias, faltam noites
Para que estes meus olhos
Se libertem desta venda.
A esperança dos dias
O silêncio das noites
São ventos, são murmúrios
Num solitário dizer.
Enquanto a nossa noite não vier
Enquanto não acontecer
Serão apenas mais madrugadas
Serenos dias de mãos dadas
À espera do entardecer.
DUAS VOGAIS ( Carlos Campos )
Apetecia-me um abraço brando
Uma carícia lenta
Um beijo longo.
Apetecia-me mais
Tu e eu duas vogais
Deitados num ditongo.
15/07/2025
PODIA SER AÍ ( Nuno Júdice )
Podia ser aí. Contigo. Com o teu corpo
RECEITA DE MULHER ( Vinícius de Moraes )

As muito feias que me perdoem




















