Neste início de tarde
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
27/04/2026
MULHERES ( Angélica Torres) In O Poema Quer Ser Útil; LGE Editora, Brasília, 2006
LÍRICA ( Mariana Ianelli ) in O Amor e Depois; Iluminuras, São Paulo, 2012
Chegasse antes da hora
O AMOR E DEPOIS ( Mariana Ianelli ) in O Amor e Depois; Iluminuras, São Paulo, 2012
Era esperado que aos poucos
DESCOBRIMENTO ( Mariana Ianelli ) in O Amor e Depois; Iluminuras, São Paulo, 2012
Será como chegar extenuado,
PELE QUE HABITO ( Lubi Prates ) in Um Corpo Negro; 3a. edição - Nossa Editora, São Paulo, 2021
minha pele é meu quarto.
O ESPÍRITO ( Natália Correia ) in Poesia Completa
Nada a fazer amor, eu sou do bando
POR ESTAS NOITES ( Olavo Bilac ) in Poesias
Por estas noites frias e brumosas
O TESTAMENTO DOS NAMORADOS ( Natália Correia ) in O Vinho e a Lira
Escolhamos as coisas mais inúteis
DESEJOS VÃOS ( Florbela Espanca ) in Livro de Mágoas
Eu queria ser o Mar de altivo porte
CISNE ( Pedro Homem de Mello ) in Adeus
Amei-te? Sim. Doidamente!
CANÇÃO À AUSENTE ( Pedro Homem de Mello ) in Segredo
Para te amar ensaiei os meus lábios.
NO OBSCURO DESEJO ( Vasco Graça Moura ) in Antologia dos Sessenta Anos
no obscuro desejo,
PRINCÍPIO DO PRAZER ( Vasco Graça Moura ) in Antologia dos Sessenta Anos
à sua volta os pombos cor de lava
26/04/2026
Por Célia Moura, 2026
Vou embalando
22/04/2026
DIVÃ ( Déborah de Paula Souza ) in Vermelho Vivo; Laranja Original, São Paulo, 2021 ( Para Heidi Tabacof )
contou o que nem pensava
PRANTO EM MODO CLÁSSICO PELA TERRA PALESTINA ( Fatima Ahmad ) Tradução de Maria Carolina Gonçalves
Eu vou porque o cheiro da terra ainda me chama,
JOGUINHO ( Muna Amassdar ) Tradução de Alexandre Facuri Chareti
Quem apaga a guerra dentro de mim
TULCEA ( Maria João Cantinho )
Tulcea, que agora se afunda
TEIA ( Laís Araruna de Aquino )
não há seguro contra o estar no mundo
à beira do Capiberibe ou do Nevá
PREFIRO OS DIAS DE CHUVA ( Laís Araruna de Aquino )
prefiro os dias de chuva
AS MEMÓRIAS INVISÍVEIS ( Laís Araruna de Aquino )
caminhas pelas estradas polvorentas da tua memória
NOTURNO N. 3 ( Laís Araruna de Aquino )
as nuvens estão baixas e cinzentas
ODE À MANHÃ ( Laís Araruna de Aquino )
a manhã levanta do horizonte
tenho vontade de escrever e a cabeça não dói
está nublado e chove um pouco como se
deus molhasse as pontas secas
do coração entrincheirado da véspera
ontem quando olhei o céu estrelado
só pude ver o vazio na cavidade do meu peito
mas a manhã veio como uma certeza e uma novidade
agora a água cessou, um hino se inicia
os pássaros dão glória e se lançam no azul
deus abre e fecha a sua obra
ou são os homens que esquecem a criação?
ao poeta cabe apanhar a luz do ser
e dar-lhe o cristal do nome, onde a imagem fulgura
e deixa-se permanecer como um estremecimento –
compete atentar para a anunciação,
os raios do sol quebrando numa geometria
concreta sobre a folhagem,
e deixar que a nossa alma se encha
de alegria ao crepúsculo, ao refluxo das águas
ou à chegada do sono após a exaustão
às vezes, lembramos nossos corpos imperfeitos
e sentimos exalar a tristeza da finitude
mas damos graças – ou deveríamos dar –
por ter acontecido de estarmos aqui
como um lampejo entre os dias e a noite,
entre um afeto e uma cicatriz,
entre Sêneca e Walser,
as flores do campo e o estio,
sendo por tudo tocados nesta alternância
e a tudo tocando
aconteceu de estarmos aqui,
neste instante fecundo,
salvo para sempre porque votado ao esquecimento e ao fim –
ao invés de vagarmos anonimamente e sem rumo
como a poeira eterna do universo
21/04/2026
A ESCRITA E A ETERNIDADE ( Eduarda Chiote ) in Órgãos Epistolares, Edições Afrontamento, Porto, 2010
Contra o poder desagregador do corpo


















