11/05/2026

ENGARRAFAMENTO ( Egito Gonçalves ) in O Esperado Fim do Mundo Já Partiu - Uma Antologia; Língua Morta, 2020

 O dia está triste,

Perséfona deve ter sido hoje forçada por Vulcano.
O inverno derrama-se na cidade
como se tivéssemos de pagar
os problemas do Inferno. Os automóveis
engarrafam o trânsito
de Santa Catarina – a rua,
não a santa
que dos gemidos de Perséfona não entende –
Sejamos pacientes. Saboreemos
Este momento em que os motores em ralenti
Aguardam o orgasmo dos deuses.

AS MINHAS MENINAS ( Chico Buarque de Holanda )

 Olha as minhas meninas

As minhas meninas
Pra onde é que elas vão
Se já saem sozinhas
As notas da minha canção
Vão as minhas meninas
Levando destinos
Tão iluminados de sim
Passam por mim
E embaraçam as linhas
Da minha mão

As meninas são minhas
Só minhas na minha ilusão
Na canção cristalina
Da mina da imaginação
Pode o tempo
Marcar seus caminhos
Nas faces
Com as linhas
Das noites de não
E a solidão
Maltratar as meninas
As minhas não

As meninas são minhas
Só minhas
As minhas meninas
Do meu coração

DEITADO SOB AS NUVENS (Egito Gonçalves )in O Esperado Fim do Mundo Já Partiu - Uma Antologia; Língua Morta, 2020

 Deitado sob as nuvens

recebo nos olhos o esplendor
que sombreia os escombros. Olho-as
como símbolos, vêm do meio-dia
solar que afastei, de fímbria
branca, ventres
de água, túrgidos. Levantarão
ainda outros poemas quando já não existam
(não existem agora?) longe daqui
num outro cérebro, num olhar pousado
nas sólidas ruínas, nos destroços
de que o inverno se nutre – por isso
afinal vos amo, nuvens, onde estais…

A SOMBRA SOU EU ( Almada Negreiros )

 A minha sombra sou eu,

ela não me segue,
eu estou na minha sombra
e não vou em mim.
Sombra de mim que recebo a luz,
sombra atrelada ao que eu nasci,
distância imutável de minha sombra a mim,
toco-me e não me atinjo,
só sei do que seria
se de minha sombra chegasse a mim.
Passa-se tudo em seguir-me
e finjo que sou eu que sigo,
finjo que sou eu que vou
e não que me persigo.
Faço por confundir a minha sombra comigo:
estou sempre às portas da vida,
sempre lá, sempre às portas de mim!

09/05/2026

MULHER DA VIDA ( Cora Coralina )

 Mulher da Vida,

Minha irmã.
De todos os tempos.
De todos os povos.
De todas as latitudes.
Ela vem do fundo imemorial das idades
e carrega a carga pesada
dos mais torpes sinônimos,
apelidos e ápodos:
Mulher da zona,
Mulher da rua,
Mulher perdida,
Mulher à toa.
Mulher da vida,
Minha irmã.

ROSA DE HIROSHIMA ( Vinícius de Moraes )

 Pensem nas crianças mudas, telepáticas

Pensem nas meninas cegas, inexatas
Pensem nas mulheres, rotas alteradas
Pensem nas feridas como rosas cálidas

Mas, ó, não se esqueçam da rosa, da rosa
Da rosa de Hiroshima, a rosa hereditária
A rosa radioativa, estúpida e inválida
A rosa com cirrose, a anti - rosa atômica
Sem cor, sem perfume, sem rosa, sem nada

08/05/2026

CANTA CORAÇÃO ( Geraldo Azevedo & Carlos Fernando )

 Canta, canta, passarinho

Canta, canta, miudinho
Na palma da minha mão

Quero ver você voando
Quero ouvir você cantando
Quero paz no coração

Eu quero ver você voando
Quero ouvir você cantando
Na palma da minha mão

Na palma da minha mão
Tem os dedos, tem as linhas
Que olhar cigano caminha
Procurando alcançar

A nau perdida
O trem que chega, a nova dança
Mata verde, esperança
Em suas tranças vou voar

Passarinho
Vou voar

Meu alegre coração
É triste como um camelo
É frágil que nem brinquedo
É forte como um leão

É todo zelo, é todo amor, é desmantelo
É querubim, é cão de fogo
É Jesus Cristo
É Lampião

Passarinho
Eu vou voar

07/05/2026

OS FOGOS DA FALA ( Geraldo Carneiro ) In Folias Metafísicas. Relume Dumará, 1995.

 a fala aflora à flor da boca

às vezes como fogos de artifício
fulguração contra os terrores do silêncio
só espada espavento espelho
ou pedra ficção arremessada
ou canção para cantar as graças
as virilhas as maravilhas da amada
a deusa idolatrada do amor:
essa outra voz quase jazz
que subjaz ventríloqua de si mesma

ORQUESTRA ( Poeta da Cidade ) in Ela, Metafisicamente Doutro Mundo - Editora Cultura, 2026

 Fosse eu o maestro da sinfonia

que é todo o teu corpo;

tocasse eu esse órgão etéreo que escondes

e que nasceu da orquestra do teu sexo.


Elevar-te-ia às casas mais endeusadas

da música clássica.

Um concerto dos deuses, de deuses e para deuses:

- Nós!

Dirigisse eu as cordas vocais do teu esemble,

e fizesse parte do teu quarteto de sopro,

tirar - to - ia num só fôlego.


És um desejo dos deuses.

A materialização do viver eterno

em sintonia com a música que me fazes escrever.

POETA DA CIDADE é o pseudónimo de Pedro Freitas, poeta e dizedor de Poesia

Por Ana Luísa Amaral, in A Arte de Ser Tigre

 Se eu varresse todas as manhãs as pequenas

agulhas que caem deste arbusto e o chão
que lhes dá casa, teria uma metáfora perfeita para
o que me levou a desamar - te. Se todas as manhãs
lavasse esta janela e, no fulgor do vidro, além
do meu reflexo, sentisse distrair-se a transparência
que o nada representa, veria que o arbusto não passa
de um inferno, ausente o decassílabo da chama.
Se todas as manhãs olhasse a teia a enfeitar - lhe os
ramos, também a entendia, a essa imperfeição
de Maio a Agosto que lhe corrompe os fios e lhes
desarma geometria. E a cor. Mesmo se agora visse
este poema em tom de conclusão, notaria como o seu
verso cresce, sem rimar, numa prosódia incerta e
descontínua que foge ao meu comum. O devagar do
vento, a erosão. Veria que a saudade pertence a outra
teia de outro tempo, não é daqui, mas se emprestou
a um neurônio meu, unia memória que teima ainda
uma qualquer beleza: o fogo de uma pira funerária.
A mais perfeita imagem da arte. E do adeus.

Por Ana Luísa Amaral, in Às Vezes O Paraíso

 Um céu e nada mais — que só um temos,

como neste sistema: só um sol.
Mas luzes a fingir, dependuradas
em abóbada azul — como de tecto.
E o seu número tal, que deslumbrados
neram os teus olhos, se tas mostrasse,
amor, tão de ribalta azul, como de
circo, e dança então comigo no
trapézio, poema em alto risco,
e um levíssimo toque de mistério.
Pega nas lantejoulas a fingir
de sóis mal descobertos e lança
agora a âncora maior sobre o meu
coração. Que não te assuste o som
desse trovão que ainda agora ouviste,
era de deus a sua voz, ou mito,
era de um anjo por demais caído.
Mas, de verdade: natural fenómeno
a invadir-te as veias e o cérebro,
tão frágil como álcool, tão de
potente e liso como álcool
implodindo do céu e das estrelas,
imensas a fingir e penduradas
sobre abóbada azul. Se te mostrasse,
amor, a cor do pesadelo que por
aqui passou agora mesmo, um céu
e nada mais — que nada temos,
que não seja esta angústia de
mortais (e a maldição da rima,
já agora, a invadir poema em alto
risco), e a dança no trapézio
proibido, sem rede, deus, ou lei,
nem música de dança, nem sequer
inocência de criança, amor,
nem inocência. Um céu e nada mais.

Poemas Malditos, Gozosos e Devotos – XII ( Hilda Hilst )

 Estou sozinha se penso que tu existes.

Não tenho dados de ti, nem tenho tua vizinhança.
E igualmente sozinha se tu não existes.
De que me adiantam
Poemas ou narrativas buscando

Aquilo, que se não é, não existe
Ou se existe, então se esconde
Em sumidouros e cimos, nomenclaturas

Naquelas não evidências
Da matemática pura? É preciso conhecer
Com precisão para amar? Não te conheço.

Só sei que desmereço se não sangro.
Só sei que fico afastada
De uns fios de conhecimento, se não tento.

Por ANTONIO GAMONEDA, in LIVRO DO FRIO; Assírio & Alvim, 1999

 Estou nu diante da água imóvel. Deixei minha roupa

no silêncio dos últimos ramos.

Isto era o destino:
chegar à margem e ter medo da quietude da água.

04/05/2026

SONETO ( Ana Cristina Cesar ) In Inéditos e Dispersos, Ática, São Paulo, 1998

 Pergunto aqui se sou louca

Quem quer saberá dizer
Pergunto mais, se sou sã
E ainda mais, se sou eu

Que uso o viés pra amar
E finjo fingir que finjo
Adorar o fingimento
Fingindo que sou fingida

Pergunto aqui meus senhores
quem é a loura donzela
que se chama Ana Cristina

E que se diz ser alguém
É um fenômeno mor
Ou é um lapso sutil ?

COISA MAIS MAIOR DE GRANDE ( Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior )

 Enquanto eu acreditar que a pessoa é a coisa mais maior

de grande
Pois que na sua riqueza revoluciona e ensina
Pois pelas aulas do tempo, aprende, revolta por cima
Eu vou cantar... Por aí
Eu vou cantar... Por aí
Bonito é que gente é sempre assim tão diferente de
gente
Assim como a voz que ecoa não é mais a daquele que
grita
E essa beleza, na dessemelhança, me aguça a cabeça, me
agita
Eu vou cantar... Por aí
Eu vou cantar... Por aí
Que nada se repete sob o sol
O movimento da vida não deixa que a vida seja sempre
igual
Pois nada se repete, nem o sol
Pois veja que o bem só é bem pra quem ele
Faz bem mas pr'um outro pode ser um mal
Pois nada se repete sob o sol
O pai já não é mais o filho, nem foi o avô e nem é o
irmão
Nada se repete, nem o sol
Que pena daquele que pensa da sua exata continuação
Na desparecença dos tempos aprendo as tranças e
tramas
Das novas lições
Eu vou cantar... Por aí

UMA LAGARTIXA LOUCA ( Iara Maria Carvalho ) In Saraivada, Sarau das Letras, Mossoró, 2015

 de um lado para o outro.

a cerâmica da casa era a mesma.
a poeira, sempre a mesma poeira, era a construção
do vizinho.
o ano passou, a poeira foi levando os meus trinta
anos pra debaixo do tapete colorido.

e eu sobrevivi.

contando nos dedos cada dia.
desejando ser o último.
vá embora. ande. corra, sua lagartixa louca, acabe.

sobrevivi aos trinta anos com uma cárie a menos.
um sonho a menos.
um pai a menos.

e se é tempo de voar,
desengaiolo os lírios do meu cérebro de cimento

e deliro.

SINHÁ ( Iara Maria Carvalho ) in Na Boca do Forno, Editora CJA, Natal - RN, 2026

 Pensei que mulheres não silenciavam mulheres.

Pensei que mulheres não violavam mulheres.
Pensei que mulheres não matavam mulheres.
Pensei que mulheres eram, sobretudo, mulheres:
antes de tudo,
principalmente
- Mulheres.

Mas há mulheres com H maiúsculo.

COMPRIMIDA ( Iara Maria Carvalho ) in Na Boca do Forno, Editora CJA, Natal - RN, 2026

 Me dobrava

como uma camisa velha
guardada no fundo
da gaveta.

Me dobrava
como um saco plástico
vindo do mercado
- reutilizável.

Me dobrava
como uma conta paga
garantia de nome limpo
e depósito de desejos.

E eu respirava
entre naftalinas
e sangue pisado.

02/05/2026

TODAS ÍAMOS SER RAINHAS ( Gabriela Mistral ) in Antologia Poética

 Todas íamos ser rainhas

de quatro reinos sobe o mar:
Rosália com Efigênia
e Lucila com Soledade.

Lá no vale de Elqui, cingido
por cem montanhas, talvez mais,
que com dádivas ou tributos
ardem em rubro ou açafrão,

nós dizíamos embriagadas
com a convicção de uma verdade,
que havíamos de ser rainhas
e chegaríamos ao mar.

Com aquelas tranças de sete anos
e camisolas de percal,
perseguindo tordos fugidos
sob a sombra do figueiral,

dizíamos que nos nossos reinos,
dignos de fé como o Corão,
seriam tão perfeitos e amplos
que se entenderiam ao mar.

Quatro esposos desposaríamos
quando o tempo fosse chegado,
os quais seria reis e poetas
como David, rei de Judá.

E por serem grandes os reinos
eles teriam, por sinal,
mares verdes, repletos de algas
e a ave selvagem do faisão.

Por possuírem todos os frutos,
a árvore do leite e do pão,
o guaiaco não cortaríamos
nem morderíamos metal.

Todas íamos ser rainhas
e de verídicos reinar;
porém nenhuma foi rainha
nem no Arauco nem em Copásn.

Rosália beijou marinheiro
que já tinha esposado o mar,
e ao namorador nas Guaitecas
devorou-o a tempestade.

Sete irmãos criou Soledade
e seu sangue deixou no pão.
E seus olhos quedaram negros
de nunca terem visto o mar.

Nos vinhedos de Montegrande
ao puro seio de trigal,
nina os filhos de outras rainhas
porém os seus nunca, jamais.

Efigênia achou estrangeiros
no seu caminho e sem falar
seguiu-o sem saber-lhe o nome
pois o homem se assemelha ao mar.

Lucila que falava ao rio,
às montanhas e aos canaviais,
esta, nas luas da loucura
recebeu reino de verdade.

Entre as nuvens contou dez filhos,
fez nas salinas seu reinado,
viu nos rios os seus esposos
e seu manto na tempestade.

Porém lá no vale de Elqui,
onde há cem montanhas ou mais,
cantam as outras que já vieram,
como as que vieram cantarão:

Na terra seremos rainhas
e de verídico reinar,
e sendo grandes os nossos reinos,
chegaremos todas ao mar.

O SERÃO ( Mário Quintana ) in Antologia Poética

 Inutilmente, ao longo das ruas,

Os Anjos fazem trottoir
Inutilmente.

Ninguém quer levar para casa
um pouco de céu:
a lembrança do que se perdeu
sempre incomoda.

Nos apartamentos
Os solitários bebem uísque e soda
Os afamiliados também.

Subitamente
um deles ri muito alto
— não se lembra de quê.

Um último Anjo retirante
espia
espia ainda a velha sala iluminada.

DE ALMA ABERTA ( Natália Correia ) in Poesia Completa

 Tomai-me as ancas fartas dão para égua

e as açucenas que ainda são mamudas.
Dos olhos tomai pranto, é boa rega,
já que a chorar por vós vos dei fartura.

Dos ouvidos, silvos que os ocuparam
tomai que até farelo pus em música.
Calo a farinha. Anjos a trituraram.
De agro celeste, o grão não mói a Musa.

De árduos sentidos que chamais pecados
tomai só os mortais. Dão uma récua.
Dos imortais nem um que são velados
por vapores de alvorada paraclética.

Tomai riso também se quereis folia:
mete rabeca e balho o Sprito Santo.
Nos fúlgidos milagres da pombinha
embuça-se o divino no profano.

Tomai polme a ferver de ilhoa irada,
mesmo o coice que dá depois de morta.
Eu deito fogo para não ser queimada.
Mas serva e cerva sou por trás da porta.

Tomai gestos que são dos sete palmos
e para vermes eu não ponho a rubrica.
De publicar-me em pó estais perdoados.
Devo-me eterna vendida em hasta pública.

Traficantes de peles, à puridade
vos digo: só mentira arrecadais.
Porque tal como o lótus, a verdade
vos dou na comunhão que não tomais.

Por Rupi Kaur, in O Que O Sol Faz Com As Flores

 eu passo dias de cama debilitada pela perda

eu tento chorar para te trazer de volta
mas a água já ferveu
e ainda assim você não voltou
eu arranho a pele até ver sangue
perdi a noção do tempo
o sol se transforma em lua e
a lua se transforma em sol e
eu me transformo em espírito
uma dúzia de pensamentos
me atravessam num segundo
você já deve estar chegando
mas é melhor se for engano
eu estou bem
não
eu sinto ódio
sim
eu te odeio
talvez
eu não supere
eu vou
eu te perdoo
eu quero arrancar meu cabelo
de novo e de novo e de novo
até que minha cabeça exausta faça silêncio

ENGUIÇO ( Flora Figueiredo ) in Amor A Céu Aberto

 Eis um amor que bate à porta

em hora imprópria.
Ousado, liga a lâmpada frouxa,
joga a trouxa de roupa ainda manchada
do sangue das costas lanhadas.
Impõe cadeado no portão,
como se não fosse sair mais,
caminha decidido sobre minha paz.
Esse temido amor de hora errada
já vem assobiando pelo corredor.
O trinco da porta é fraco
e não sustenta;
a oração é rala e pouco aguenta,
o medo é pequeno e permissivo.
A tal amor que chega inoportuno,
eu me condeno.
Porque me condeno é que me sinto vivo.

O LOBO ( Ana Bailune ) in 15 Poemas Volume I

 Ele se foi de mim,

E hoje uiva nas estepes,
Solitário lobo,
Sem casa e sem pouso,
Tão longe de mim.

Ah, e eu te procurei,
E eu te quis por perto,
Num resgate
De peito aberto
Desse meu triste e imensurável
Deserto.

Lobo, se tu uivas
Em noites assim
De luar claro,
Algo estremece em mim…
Pois és a parte que me falta,
A que fugiu de mim
No dia em que nasci.

E eu espero,
E eu procuro,
Deixo a porta sempre aberta
E um bom naco de minha carne
Na esperança de rever-te,
Na esperança de juntar-me a ti,
Pedaço de minha alma.

Anseio pela alegria
De finalmente, reencontrar-te,
Parte ausente de mim,
Nem que seja
No limiar da incerteza,
No meu último dia,
Criatura Divina.

VOCÊ ( Charles Bukowski ) in O Amor É Um Cão dos Diabos

 você é uma fera, ela disse

sua enorme barriga branca
e seus pés cabeludos.
você jamais corta as unhas
e tem mãos gordas
como as patas de um gato
seu nariz vermelho e brilhante
e os maiores bagos que
eu já vi.
você lança esperma como
uma baleia lança água pelo
buraco das costas.

fera, fera, fera,
ela me beijou,
o que você quer para o
café da manhã?

MINHA AMADA DOIDIVANA ( Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior)

 Do fundo dos teus olhos, vêm mais cores

Que todo o arco-íris possa dar, eu sei
Das sombras do teu corpo, vêm mais luzes
Do que as luzes do universo a bailar pra mim

Eu sei que teus carinhos são bem mais, bem mais
Que qualquer mão sedosa no amor, eu sei
Mas sei que no teu seio mais amores
Que vêm zombar de uma paixão, de um ser tão teu

Sei por onde andas, dói-me o peito
Sei com quem me enganas, me magoas demais
Mas sei que quanto mais de mim caçoas
Quanto mais feres minh'alma
Mais me sinto preso a ti, mi amor

E o amor, ó minha amada doidivana
Não é assim tão fácil de calar e eu sei
Mas dói saber, amada tropicana
Somente eu não estou a fim de te explorar
Doidivana