01/05/2025

O VINHO DE HEBE ( Raimundo Correia )

 Quando do Olimpo nos festins surgia

Hebe risonha, os deuses majestosos
Os copos estendiam-lhe, ruidosos,
E ela, passando, os copos lhes enchia.

A Mocidade, assim, na rubra orgia
Da vida, alegre e pródiga de gozos,
Passa por nós, e nós também, sequiosos,
Nossa taça estendemos-lhe, vazia.

E o vinho do prazer em nossa taça
Verte-nos ela, verte-nos e passa.
Passa, e não torna atrás o seu caminho.

Nós chamamo-la em vão; em nossos lábios
Restam apenas tímidos ressábios,
Como recordações daquele vinho.