21/11/2025

QUANDO A MARESIA COCHICHA VELHAS ANGÚSTIAS (Jade Luísa)

 Perdoe o medo do mar, meu bem,

mas grave o vestígio da saudade,
do vinho esquecido no fundo da taça.

Crave os dentes sadios
naquela coragem ínfima que repousa como alga
no âmbar da epiderme,
quando a maré enche e lhe umedece o vazio do esôfago.

O desejo enrosca sua lã em meus nervos
e salpica sobre a pele esporos corpulentos, insaciáveis,
como se proferisse cantigas enrijecidas
de mel e sal nos meus poros.