28/12/2025

O DIA DA IRA (Adélia Prado, in Bagagem, Poesia Reunida, pág. 25, Editora Siciliano, 1991

 As coisas tristíssimas,

o rolomag, o teste de Cooper
a mole carne tremente entre as coxas,
vão desaparecer quando soar a trombeta.
Levantaremos como deuses,
com a beleza das coisas que nunca pecaram,
como árvores, como pedras,
exatos e dignos de amor.
Quando o anjo passar,
o furacão ardente de seu vôo
vai secar as feridas,
as secreções desviadas de seus vasos
e as lágrimas.
As cidades restarão silenciosas, sem um veículo:
apenas os pés de seus habitantes
reunidos na praça, à espera de seus nomes.