Os nossos corpos molhados pela água,
lambidos, entrelaçados,
o mar faz-nos cócegas no sexo,
um pé, a nuca.
A água espumosa
que nos agarra, um braço
como um toque por distracção
que te apanha,
me apanha
mas esquivo-me, tu estendes-te.
As nossas asas tocam-se,
as nossas pernas enlaçam-se
e a água
por dentro, por fora, por dentro.
Os nossos corpos: a água.
A lua impiedosa
ou a tua língua, lavando-me
inteira e brilhante,
despiu-nos.
O teu corpo, espelho interminável,
sabia que a maldade
estava ocupada noutro sítio.
E possuíste-me inteira
no descuido exacto da vida.
Eu serei Margarida e tu o mestre,
Merlin com sua língua
na cova mais funda
e a minha boca
uma bússola no teu corpo.
Os postes circulares da tua cama
convergem nos nós das minhas pernas
- a luz era uma vela –
mas os teus olhos
dardos na noite.
O silêncio ganhou um cheiro a sândalo marinho:
esse que derrete
as máscaras.
