Acordei numa madrugada fria
gritando e suando ensandecida.
Não cria no que via:
um pote de vidro sobre a mesa
de madeira velha do porão,
lá estava meu filho,
envolto no cordão.
Rasgava-me
o peito
o ventre,
de dor
de fúria
de culpa.
Vi-me ali ferida, caída, vazia,
e um ser natimorto a me observar,
como se fosse a culpada
por sua vida não vingar.
Vi-me igual à Frida que
pintou esse sonho meu,
e eternizou nossos filhos
ela, na tela e eu, no papel.