Entro no poema através do vento que no verão
litoral deste país parece enlouquecido.
Agora o vento já não é tão atrevido como dantes,
quando as mulheres usavam saias rodadas.
É que a moda ludibriou o vento.
Trouxe calças e calções. Ajustou os vestidos.
O vento, esse, aprendeu a brincar com os piercings
que as meninas prendem no umbigo.
Às vezes dança também nos meus cabelos.