06/10/2026

Por Graça Pires, De A Incidência da Luz, 2011

Sobre a linha do horizonte sulco 
a tristeza que se apodera da noite 
pela extrema possibilidade da mudez. 
Pressinto a hora dos naufrágios 
em meus lábios onde rangem 
os cascos dos barcos sem rota. 
Tenho nos joelhos a turbulência das marés. 
E fico com os dedos arroxeados 
como se remasse dias a fio 
até amainarem os ventos. 
Quando a cegueira me exigir, 
posso olhar a minha sombra sem medo do luto.