Ela caminhava toda,
tudo nela caminhava.
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
Ela caminhava toda,
tudo nela caminhava.
Agora saio com putos
Olho-te pelo reflexo
Um toque leve,
O Porto tinha uma condescendência especial para as mulheres infiéis, se elas eram inteligentes bastante para não preferirem o amante aos deveres da sociedade.
Venho de dentro, abriu-se a porta:
nem todas as horas do dia e da noite
me darão para olhar de nascente
a poente e pelo meio as ilhas.
Há um jogo de relâmpagos sobre o mundo
de só imaginá-la a luz fulmina-me,
na outra face ainda é sombra.
Banhos de sol
nas primeiras areias da manhã
Mansidões na pele e do labirinto só
a convulsa circunvolução do corpo.
Atravessa os campos da noite
e vem.
Da margem do sonho
Procura a rosa.
Os segredos de amor têm profundezas difíceis de alcançar,
tal como a chuva que hoje cai e nos molha na calçada a face,
nós olhando triste uma saudade imensa
num corpo de mulher metamorfoseada.
Sou demasiado são para me esquecer
do tempo apaixonado que vivi nos teus braços
e bebo no teu um coração meu
adormecido no mar do meu cansaço
ou no rio das minhas secas lágrimas.
Tardará muito, se é que as horas contam,
ver-te, de novo, perto de mim, longe,
mas eu espero, sou paciente e, no meu canhenho, aponto,
um dia a menos, o da tua chegada.
E assim me fico, rente ao horizonte,
abrigado da chuva numa cabine telefónica,
e ligo para ti - que número? - ninguém responde
do oceano que avança e retrai colinas,
o vulto de um navio, tu na amurada
acenando um lenço, ó minha pomba branca!
Como se tempestade houvesse e um naufrágio de chuva
- as vidraças escorrem, as árvores liquefazem-se...
escurecendo os teus cabelos,
ou, se preferes, a minha boca neles
carregada de ilhas, de nocturnos perfumes
que ateiam lumes, ó minha idolatrada,
na minh' alma inquieta um outro bater d' asas
ou num jardim um leito de flores!
Vem, Dama, vem que eu desafio a paz;
Dizes agora que eu quis acabar;
Abram-se as portas do inferno
Abri as folhas de um canto de flores nómadas,
Não é por acaso
Pudesse eu viver
Tu estás doente meu amor, porquê?
Que estranha fantasia!
Era já tarde e tu continuavas
Adoro o inverno.
Pétalas de rosas