
Senhor
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )

Senhor
Um poema livre
um dia eu
à porta um sobressalto
Adivinho-me nas vítimas que estraçalho.
a serenidade, a brisa, o sopro
Às vezes aquele corpo não era meu
Conservo o verão para que não me deixes

Gosto quando me falas de ti e vou te percorrendo
Há uma parte de ti
Quando eu morder
Sei que a manhã trará o fim dos gemidos
no jovem vigor das marés.
Encosta com loucura o teu ouvido às rochas.
Embarcada numa jangada sem mim,
tocarei um a um os sons dos búzios do vento.
Sei que nenhum obstáculo foi suficiente
para impedir este cíclico regresso à terra.
Não tardarás a alcançar a ilha verde,
próxima das nascentes onde te espero
sem corpo. De pele e de alegria me vestirás.
Da nudez dos meus pés beberás o mel.
O que eu gosto do teu corpo é o sexo.
Dói em mim saber que a solidão existe
Não tire da minha mão esse copo

Já que você não aparece,
não importa com quem eu esteja
a minha sombra é uma mulher

sempre quando quero viver grito
Penso partes de um corpo:
Uma ventania