Hoje vai a antiga musa
"O único jeito de suportar a existência é mergulhar na literatura como numa orgia perpétua". ( Gustave Flaubert )
13/10/2025
EM LOUVOR DA MINIBLUSA (Carlos Drummond de Andrade)
BOLERO DE SATÃ ( Paulo César Pinheiro & Guinga )
Você penetrou como o sol da manhã
10/10/2025
A ESTÁTUA ( Judith Teixeira )
O teu corpo branco e esguio
ME OLHA, ENTÃO TUDO ME DIZ ( Isabella Ingra )
e eu nem conseguia te explicar direito o meu desejo.
da loucura de sonhar em te dar em qualquer lugar, num lugar qualquer. nem era interessante explicar que o meu corpo não podia parar de querer, assim tão subitamente, tão sem querer. nem adiantava tentar dizer que todas as vezes que fiz que não quis, queria você. que a lembrança leva e traz, em pequenos flashs de câmera antiga, você decendo pela barriga, você atrás metendo, você tão perto dizendo que está todo em mim. disso eu bem sei, disso eu sigo sabendo. quer dizer, sigo ardendo de saber mesmo não sabendo como ainda continuar a dizer, meu ventre gruda em você, sem que eu perceba o movimento. me aventuro entre o beijo e o esquecimento de que há pessoas ao redor e eu quero queria em qualquer lugar.
DENTES ESTRELAS ( Isabella Ingra )
você tem estrela nos olhos
você brilha de olhos virados
você tem estrelas nos dedos
seus dedos brilham quando
apertam a minha
você tem estrelas na língua
sua língua brilha enquanto fala
enquanto lambe
enquanto me beija
você tem estrelas.
MEMÓRIA DO VERÃO ( Isabella Ingra )
claro que o
clímax
é uma chama
um chafariz
claro que minha
cama
sente falta da nossa
chuva repentina de verão.
Por Isabella Ingra
o mesmo mar
que tenho medo de entrar
cresce dentro de mim.
um oceano azul tão profundo
como você é profundo dentro de mim
te deixo entrar
eu abro minhas ondas
descanso minha ressaca
te sugo nas minhas conchas.
TODOS OS LÁBIOS DISSERAM SIM ( Isabella Ingra )
sua presença
a fuga da minha estrada
liberdade da minha sentença
te deixo
lavar meu corpo
e a vontade de ser sua
lavando meu rosto
a sua imagem
rasgando a minha memória
entrando por todas as portas
abrindo portas profundas
desgastando a poltrona
e todos os lábios disseram sim
e muito antes de mim
te escrevo essa carta poema
como evidência de desejo
de desejo de apertar o meu corpo no seu corpo e vez em quando me pegar te olhando
além de ti
talvez procurando
o que há dentro de mim
sobre você
que me mostras de ti
vasculhando a memória
deixo a memória nua
de quando me vi nervosa
no mesmo banho que você
e o quanto quis me ajoelhar
do quanto quis ser de você.
Por Isabella Ingra
trepar com a memória da nossa história que foi quase agora
há algumas horas
e toda vez que lembro
ainda tremo.
MORDA - ME ( Lírio Valente )
sem ter vergonha ou medo,
melaço da textura aos dedos,
encosta os lábios, suga-os
𝑚𝑒𝑢 𝑑𝑜𝑐𝑒 𝑣𝑎𝑚𝑝𝑖𝑟𝑜;
víbora-veneno-sangue-vivo.
Revirar dos olhos,
veloz-veloz-veloz;
a batizar meu nome:
P e r e c í v e l.
E, por quê?
Demora sobre a minha vulva; és
Sanguinária selva de lembrança, escorre;
voluptuosa [à]vida;
por guardar últimas e pequenas mortes.
Grita-te raivosa:
Te cavalgo. tento.
Fruta libidinosa.
Úmida-tênue.
Pegue minhas ancas,
Te prometo a vida de um poeta.
Palavras vivas, fonte h-éterea.
Ser poema que escorre a ponta d’língua;
Sós comigo.
Carrega-me da vertigem à fé.
Faz cruz aos braços enrolados aos cabelos;
Reza a prece baixo por meus seios.
Invada-me e te engulo, mulher-areia-movediça.
Sou convulsão do teu lobo-homem.
Urra feito lobo a chamar matilha;
Sou ferida perdida à tua boca;
Vampira.
Canção que cura indefinida;
Trilha à Éter.
Caos e Caligo.
Morda-me. Cíclica.
INTIMIDADE COM AMOR É ORGASMO ( Lírio Valente )
No teu peito
Os dedos entre meus cabelos
Tua bússola aponta ao meu centro
Nos guia pelos lençóis da pequena morte.
Me escaldei em teu nome
Silibando entre "vem.. vem.."
E você?
Me tateia ao caminho
"Me passeia que eu gosto dessa sorte."
Me prova, me enxerga, me cheira, me morde
Passo à passo, acertado
Acelerado, encaixado
Ao pé do ouvido.
E se deixa em mim,
Abraça todos meus sentidos,
Alívio, sexo, ombro-amigo.
E me vejo ali, bordada em tuas letras
A minha carne é de "aconteça!"
O "eu te amo" em textura umedecida,
Excita, instiga, revitaliza
Volúpia vira ciranda em ternura
E urra enquanto desliza;
Aos montes de vênus à cima!
AFRODISÍACO ( Lírio Valente )
apoia teu corpo em meu ventre;
sorriso colado, teu doce frutado
gemido arfado entre os dentes.
olhares trocados, saliva banhada
sem redondilhas, pois, me precipito
barganha de amores não compreendidos.
finjo que sei dar nome ao que sinto,
extinto, instinto ou faminto?
lembro das águas demoradas,
que formavam castelo onde tu eras rei!
perdido no meu calabouço,
a pulsar em pronto: "coito?"
dá-me o estalo delirante,
instante que pré-[acende] o amor.
o ar silente à luz, amando.
DANÇA COMIGO ( Vanessa Alves )
Dança comigo, me fode bonito e lento
Dança comigo e me traz aquele vinho seco que você comprou correndo no supermercado antes de me espiar pela entrada da fechadura do meu eu
Fode comigo e com o resto de esperança que eu tinha naquele poder erótico de que somos "seres descontínuos procurando continuidade Bataille"
Fode comigo e prometa teus olhos sob meu corpo em estado de quase amor real a vida inteira
Fode comigo bem assim
Me vira
Revira
Sorve meu vocabulário imperfeito, minha ausência, minhas carências, meu ego, minha boceta cor de rosa choque. Come tudo num espiral de desespero terrestre
Fricção em slow motion
Pois
Fode comigo mas não esquece que somos iniciantes nessa vida
E eu insisto em me enfiar entre as estrelas
Every day for you, baby
Interestelar despenteada: são 28 voltas no sol queimando forte em meu corpo de promessas tortas
E depois – desse tanto –
Cumpra o script cinematográfico falido
E
Vá embora
No
Meio da madrugada
Como um desconhecido perfeito
FORTÍSSIMO DEMAIS ( Vanessa Alves )
Quando eu te vi pela primeira vez na câmera do celular
Eu bebi um tanto e fiquei entre meu "deep coração pornográfico e a dúvida"
Posicionei a câmera de ponta cabeça e fiz travelling nas partes da sua cara
Dei zoom onde me dava prazer
Manipulei sua imagem – pra mim – vagarosamente
E
Enquanto uma mão alcançou o espaço sideral com nossos diálogos fortíssimos
A outra molhava a boceta fortíssima
E eu inventava uma canção em inglês, pra parecer chic
E até cantei ela pra você.
E a bateria acabou.
E nunca mais nos falamos.
Acho que foi fortíssimo demais
PETITE MORT ( Vanessa Alves )
Às três da tarde
Quando uma petite mort me ocorre
La belle de jour
The dream of Picasso
Flores e ménage
Orgasmo e ciúme
Existe um vazio absoluto nesse instante
Preenchido de mini diagramas
A serem decifrados
Às três da tarde
Acontece uma incisão no córtex pré-frontal da vida
Irreversível












